Apesar de Baldur's Gate 3 estar repleto de momentos assustadores — casas assombradas, vampiros e monstros das sombras — um dos momentos mais aterrorizantes da campanha não envolve criaturas sobrenaturais. É a missão no fundo do mar, onde o jogador enfrenta o príncipe Enver Gortash em um presídio submerso.

O cenário, embora não seja visualmente o mais sombrio do jogo, gera um clima de pânico constante por causa de um mecanismo simples: um cronômetro de seis rodadas. Após o início da missão, o sistema começa a inundar o local. Se o grupo não retornar ao submarino antes do tempo acabar, todos morrem — afogados ou esmagados pela pressão do oceano.

O jogo não trata os personagens como peões genéricos. Cada um tem nome, história e diálogos gravados. A perda de um aliado, mesmo que não seja essencial para a trama, pesa emocionalmente. Em modo Honra, a morte é permanente. E, em alguns casos, a perda de um NPC importante pode afetar a trama principal e os relacionamentos dentro da party.

O design da missão foi feito para tornar o salvamento difícil, quase impossível em uma primeira tentativa. A mecânica incentiva a preparação extrema: uso de feitiços de velocidade, portais, telecinese e planejamento minucioso. Um erro pode forçar o jogador a escolher quem deixar para trás.

Essa combinação de tempo limitado, consequências reais e a impossibilidade de simplesmente recarregar o jogo torna a experiência profundamente impactante — e uma das mais memoráveis da história do RPG.