O novo exército Khazlite Holds para Warhammer Age of Sigmar desperta admiração e inquietação ao mesmo tempo. Com seu visual pesado, armaduras detalhadas e uma estética que remete aos anões tradicionais da fantasia, o grupo traz de volta a essência dos duardin que amamos — mas de forma tão familiar que parece um passo atrás em relação à loucura criativa que define o universo atual.

Os modelos são impressionantes: os Clanshields são robustos e dinâmicos, os Gholems de Gazul têm um design de tirar o fôlego, e o Oathkeeper Cannon se destaca como uma miniatura que quase funciona como um diorama. A paleta de cores e os detalhes sugerem um trabalho de pintura rico e gratificante, algo que sempre é bem-vindo em um jogo de miniaturas.

Apesar do encanto visual, há um sentimento de que o jogo está se tornando mais seguro, mais previsível. Depois de anões com tecnologia steampunk, elfos subaquáticos sem olhos e criaturas que cavalgam monstros marinhos, os Khazlite Holds parecem um retorno ao padrão. Isso não é necessariamente ruim — são os melhores anões clássicos que já vimos em qualquer jogo —, mas me faz questionar o futuro do universo.

O fato de a nova facção ter absorvido o exército Fyreslayer, que antes era independente, é um sinal preocupante. A ideia de unificar todos os anões sob uma única bandeira — como previsto na lore — pode significar o fim das versões mais ousadas e bizarras. E se, no próximo lançamento, só houver um único exército de anões, com base em um conceito tradicional?

Os mecanismos de jogo são bem pensados. A mecânica de grudinhos — onde perder soldados aumenta o poder do exército — é perfeita para a personalidade dos anões: teimosos, ressentidos e inabaláveis. Eles são lentos, mas indomáveis, como uma avalanche que não para de avançar. O Oathkeeper Cannon e os Gholems são ameaças reais no campo de batalha, com efeitos de rune e poder de fogo que tornam o exército competitivo.

Em resumo: adoro os Khazlite Holds. São um dos melhores conjuntos que o Warhammer Age of Sigmar já lançou. Mas, ao mesmo tempo, sinto que o jogo está se afastando do que o torna único — a criatividade sem limites. Espero que, mesmo com essa nova direção, o universo ainda tenha espaço para anões loucos, com armas de plasma e troncos de árvores vivas.