Over the Hill, o novo jogo da Funselektor Labs, é menos um jogo de corrida e mais uma viagem sensorial pelo mundo. Após o sucesso de Art of Rally — cuja essência estava mais na exploração do que na competição — o título segue em direção oposta ao que se espera de um jogo de automobilismo: a lentidão se torna o principal atrativo.
Em vez de pistas, objetivos claros ou tempo limite, o jogo oferece vastas paisagens abertas, de estilo artístico e cores vibrantes, onde o jogador se move a passos lentos por florestas ondulantes, desertos cobertos de pedras e vales alpinos. A sensação é de tranquilidade: o ritmo é compassado, o ambiente é silencioso, e a trilha sonora — com guitarras suaves e harmonicas — reforça a atmosfera de contemplação.
O controle dos veículos, especialmente o primeiro 4x4, é deliberadamente pesado. Subir colinas, atravessar lama ou passar por rochas exige paciência e atenção. O jogo não recompensa a pressa; ao contrário, ela costuma resultar em enrosques, deslizamentos ou até a necessidade de guinchar o carro com uma corda. A mecânica é clara: se você quer seguir em frente, precisa aprender a observar, planejar e respeitar o terreno.
Os pontos de interesse — marcados por ícones misteriosos no mapa — não são missões obrigatórias. Às vezes, revelam apenas itens cosméticos, como antenas de yeti ou um caiaque no teto. Em outros casos, desencadeiam rotas curadas com desafios, como contornar um lago cristalino sem cair na lama ou atravessar pontes instáveis. Mas esses caminhos são apenas convites para explorar, não obrigações.
O progresso é mínimo, mas significativo. Com o tempo, você ganha pontos ao explorar, que podem ser usados para melhorar seu veículo. Isso abre novas áreas, mas também reforça o ciclo de descoberta: quanto mais você anda, mais você pode ir longe.
Os elementos do mundo são cuidadosamente construídos: animais como ursos, veados e camelo aparecem com naturalidade, e há momentos para fotografar paisagens, observar a luz do sol nascer ou a chuva cair sobre a terra. O tempo passa de verdade — dias se sucedem, e as mudanças climáticas influenciam a experiência.
Over the Hill não é para quem busca adrenalina ou objetivos definidos. É para quem gosta de andar sem destino, de se perder com propósito. É um jogo que desafia a ideia de que condução precisa ser rápida. Em vez disso, ele propõe: e se a jornada fosse o prêmio?