Em outubro de 2026, o estúdio checo Amanita Design reagiu com força contra um tributo gerado por inteligência artificial a seu clássico Machinarium, lançado em 2009. O vídeo, criado pela empresa Nura Studios, foi apagado após críticas virulentas do próprio estúdio.

Segundo a Amanita Design, o material não representa sequer um gesto respeitoso, mas sim uma tentativa descabida de usar seus ativos visuais para gerar conteúdo automatizado. "A ousadia de alimentar os ativos de Machinarium em uma IA, produzir animações de lixo e chamar isso de uma carta de amor…", escreveu a equipe no Twitter. "Cartas de amor são feitas à mão. Isso parece nojento e não tem nada a ver com a nossa arte ou nosso ofício."

A Nura Studios, que se posiciona como uma plataforma de storytelling com IA humana como centro, tentou se desculpar. Seu CEO, Sylvio Drouin, afirmou estar "muito arrependido" e pediu desculpas públicas, dizendo que a intenção era apenas homenagear o trabalho da Amanita Design. Apesar disso, o estúdio ainda não aceitou o pedido.

O caso reforça o crescente descontentamento entre estúdios independentes e artistas com o uso de IA para recriar obras originais sem consentimento. Com o anúncio de Machinarium 2, o retorno do título é aguardado com expectativa — e a atitude da equipe mostra que o respeito à autoria ainda é um ponto central na indústria brasileira e global.