Matthew Prince, CEO da Cloudflare, afirmou em entrevista à Reuters que os próximos dois anos prometem ser intensos para a segurança da internet. Segundo ele, a cada semana será comum a sensação de que o mundo está desabando — não por causa de um desastre real, mas por uma avalanche de vulnerabilidades descobertas com ajuda de inteligência artificial.

O alerta surge após a crise do PHP, que afetou centenas de sites em todo o mundo, incluindo portais governamentais, marketplaces de games e fóruns de conteúdo adulto. A falha, descoberta com apoio de modelos de linguagem avançados (LLMs), mostrou como infraestruturas fundamentais da web podem ser vulneráveis a ataques em escala.

Prince disse que a Cloudflare já identificou outras falhas graves em software crítico, além do PHP. A aceleração no ritmo de descoberta de vulnerabilidades é, segundo ele, uma consequência direta do uso crescente de IA para explorar códigos e encontrar brechas antes mesmo de os desenvolvedores perceberem.

Empresas como Wiz Research já afirmaram que modelos de IA avançados tornaram o processo de identificação e exploração de falhas muito mais rápido e acessível. O tempo necessário para desenvolver um exploit, que antes exigia semanas de trabalho de especialistas, agora pode ser feito em horas.

Apesar do caos imediato, Prince acredita que, no longo prazo, esse cenário vai gerar um internet mais segura. Com falhas sendo identificadas e corrigidas mais rápido, o ecossistema digital pode se tornar mais resiliente.

Para os usuários, a recomendação é simples: manter navegadores, apps e sistemas operacionais atualizados. A paranoia, no entanto, não é exagero — especialmente no Brasil, onde a segurança digital ainda é um ponto frágil em muitos serviços online.