Quem nunca viu uma capa de Grand Theft Auto com seus quadrados coloridos e personagens em ação? Esse estilo, hoje icônico, quase não existiu. Segundo Dan Houser, ex-vice-presidente da Rockstar Games e roteirista de quase todos os jogos da franquia, o 11 de setembro de 2001 mudou para sempre o visual e o conteúdo de GTA III.
A versão original da capa do jogo mostrava prédios em chamas — um conceito que, em 2001, virou sensível após os ataques terroristas em Nova York. A arte foi feita por Stephen Bliss em apenas duas noites, mas precisou ser refeita por completo. O resultado foi o estilo fragmentado e colorido que conhecemos hoje.
"Não haveria problema algum se o 11 de setembro não tivesse acontecido", disse Houser. "Aquele visual só surgiu por causa do 11 de setembro." A mudança afetou também o conteúdo do jogo: missões com temática terrorista foram removidas, a cor das viaturas policiais foi alterada para não lembrar o NYPD, e rotas de avião foram ajustadas para evitar simulações próximas a arranha-céus.
O lançamento do jogo, originalmente marcado para 3 de outubro de 2001, foi adiado para 22 de outubro. A pressão sobre a Rockstar era grande — a Take-Two, empresa mãe, estava à beira do colapso financeiro. O jogo foi exibido na E3, mas gerou pouco interesse. O sucesso só veio meses depois, com vendas constantes desde o Natal de 2001 até o início de 2002.
Outros jogos também foram afetados. Command & Conquer: Red Alert 2 teve sua embalagem reformulada, Metal Gear Solid 2 teve cenas com a destruição de Manhattan e da Estátua da Liberdade cortadas, e até trailers de filmes como Homem-Aranha e Homens de Preto 2 precisaram ser reeditados.
Hoje, GTA 6 está previsto para lançamento em 19 de novembro, exclusivo para PS5 e Xbox Series X|S. A história de GTA III, no entanto, permanece como um exemplo claro de como eventos reais podem moldar a criação de jogos.