Com o lançamento de GTA 6 se aproximando, Dan Houser, ex-diretor criativo da Rockstar e um dos principais responsáveis por Bully, revelou em entrevista ao IGN como o jogo foi quase sabotado por polêmicas antes mesmo de ser lançado.

Segundo Houser, o desenvolvimento do jogo foi marcado por dificuldades constantes. "O jogo estava em apuros o tempo todo. Era uma ideia ousada, e a gente não tinha certeza se ia dar certo", disse. Afinal, a Rockstar estava apenas um ano após o sucesso de GTA: San Andreas — e o clima era de tensão, com críticas a conteúdos violentos e sexuais em títulos anteriores.

Bully, originalmente chamado Canis Canem Edit na Europa, contava a história de Jimmy Hopkins, um aluno rebelde em Bullworth Academy. A ideia de um mundo aberto com ações típicas de GTA — como dirigir carros e usar armas — precisava ser adaptada para um ambiente escolar. "Se tirarmos carros e armas, o que sobra?", questionou Houser. A resposta veio com pequenas, mas geniais, mecânicas: como colar um Post-it com "Me chute" nas costas de um personagem.

"Foi nesse momento que tudo começou a fazer sentido", lembrou o criador. "Não era um GTA, mas era divertido — e, de repente, sentimos que tínhamos algo único." A partir daí, o jogo ganhou vida, com um ritmo próprio e um tom que cativou críticos e jogadores.

Apesar do resultado final, o jogo enfrentou uma campanha de desinformação e protestos. "Houve uma histeria enorme", afirmou Houser. A equipe precisou gastar tempo todo em 2006 tentando conter a onda de rejeição, o que atrapalhou o marketing. "Não conseguimos promover como deveríamos. Foi estressante. Tinha gente protestando na porta da empresa todo dia", lembrou.

Hoje, 20 anos depois, Bully é considerado um clássico — e os fãs ainda esperam por um sequel. Houser já disse em entrevistas anteriores que a ideia foi descartada por falta de tempo e recursos. "Era um jogo que merecia um segundo capítulo, mas a Rockstar estava focada em outras coisas", disse. Agora, com GTA 6 prestes a chegar, o legado de Bully volta à tona — como um dos momentos mais desafiadores, mas também mais criativos, da história da empresa.