O primeiro DLC pago de Crimson Desert, chamado Charting the Unknown, chega com a promessa de expandir ainda mais o universo já caótico e cheio de conteúdo do jogo. Após seis horas explorando a expansão, o que mais chama atenção é a quantidade de novidades — especialmente aquelas ligadas ao oceano.
Navios, mergulhos e romance: o que vale a pena
As novidades mais interessantes estão longe da história principal. A construção de navios, combate entre embarcações e exploração submarina são bem feitas e trazem uma sensação de liberdade inédita no jogo. Navegar pelo mar, pilotar sua própria nave e até pescar com arpão são atividades que se destacam por serem inesperadas — e, por isso mesmo, cativantes.
Além disso, o sistema de relacionamentos e romances com NPCs é um dos destaques. Ainda não me envolvi de verdade, mas o potencial é alto. O jogo, que já era conhecido por misturar elementos de gêneros diferentes, agora se torna ainda mais excêntrico — e isso, no caso, é um elogio.
Missões secundárias: repetitivas e sem alma
Por outro lado, as novas missões da história são um dos pontos mais fracos. Apenas acessíveis após concluir a campanha principal — algo que menos de 10% dos jogadores no Steam conseguiram, segundo os dados de conquistas —, elas funcionam como um epílogo estendido, com combates contra versões mais difíceis de chefes já conhecidos.
As tarefas são, em grande parte, repetições de momentos anteriores: pescar com um personagem, lutar no braço de ferro para obter informações. O que deveria ser um momento emocionante acaba sendo uma cópia sem graça de algo que já existia. A narrativa, que já era fraca no jogo-base, não ganha nada com isso.
Técnica: ainda cheio de problemas
Apesar do conteúdo, a experiência técnica continua instável. Já tive dois crashes forçados, um personagem com animação travada durante um combate de braço de ferro (com o braço dobrado de forma impossível) e texturas borradas ou piscando em cenas cortadas. Esses bugs não são novidade — o jogo original já tinha esse problema —, mas é frustrante ver que o DLC não melhorou nada nesse aspecto.
Conclusão: mais do mesmo, com um toque de loucura
O Charting the Unknown é mais uma prova de que Crimson Desert não tem medo de ser exagerado. Ele adiciona mais de 500 horas de conteúdo — ou mais —, mas sem consertar os problemas estruturais do jogo. A expansão é divertida, especialmente nos momentos de navegação e exploração, mas não oferece uma evolução real nos sistemas existentes.
Se você já se perdeu em Crimson Desert por centenas de horas, talvez valha a pena mergulhar nesse novo capítulo. Mas quem busca uma história profunda ou uma experiência técnica sólida vai sair frustrado.