Cyberpunk: Edgerunners 2 chega com tudo em outubro na Netflix, mantendo viva a chama do universo de Night City. Criado pela CD Projekt Red e pela Studio Trigger, o anime não tenta repetir o sucesso de David e Lucy, mas sim explorar novos personagens e caminhos dentro do mesmo mundo distópico e corrompido.
Quatro histórias, um mesmo destino
O foco está em quatro protagonistas interligados: D., um netrunner vingativo após o massacre de sua tribo; Roman, um jovem cineasta que documenta a violência; Talia, uma mulher em estado terminal que substituiu parte do corpo por ciborgues; e King, um ex-edgerunner que perdeu tudo e agora tenta resgatar Talia.
Um dos destaques é Capri, uma entidade digital misteriosa e poderosa, com aparência de arte abstrata em neon. Ela não é apenas um objeto de desejo — é uma força caótica que desestabiliza o mundo digital e físico. Sua presença muda o tom da temporada, trazendo uma energia que lembra Akira em vez de um simples clã de mercenários.
Fora do halo de David
Apesar da grande expectativa, o novo anime não consegue se igualar ao impacto emocional da primeira temporada, especialmente com o final trágico de David. Roman, embora bem interpretado, é o ponto mais fraco da trama — mais um observador do que um agente ativo. A estrutura em quatro arcos também cria uma divisão entre os personagens, com poucas interações até os últimos episódios.
Porém, quando os caminhos se cruzam, o resultado é poderoso. A jornada de Talia, com sua luta contra a deterioração física, é profundamente triste e humana. Já o relacionamento entre King e ela traz um raro toque de esperança em um mundo sem perdão.
Animção que deixa o coração acelerado
Studio Trigger supera a si mesma. A animação é intensa, fluida e cheia de detalhes visuais. Cada cena de ação é um espetáculo, com efeitos digitais que brilham como os próprios neons de Night City. Locais icônicos do jogo — como the Sprawl e the Lowlands — são recriados com fidelidade e carisma, despertando vontade de voltar ao jogo.
Capri, em particular, é uma obra-prima visual. Sua estética única, inspirada no ciberespaço, é mantida em segredo nos trailers — o que mostra o cuidado com a revelação. Quando ela aparece, o mundo parece explodir em cores e caos.
Para quem está vendo pela primeira vez?
Edgerunners 2 funciona como uma história independente. Você pode assistir sem ter visto a primeira temporada ou o jogo. Ainda assim, há referências sutis e temáticas que conectam os mundos. Para fãs de Cyberpunk 2077, o desenho abre portas para o futuro — especialmente com a presença de personagens como Kang Tao e o mistério ao redor de Capri.
Apesar de não ser tão amado quanto o primeiro, o anime é uma vitória em termos de coragem criativa. Ele prova que Night City ainda tem histórias para contar — e que a animação pode ser tão poderosa quanto qualquer jogo.