Segundo Alexander Rehm, diretor de serviços online da Epic Games, a resposta da Valve ao crescente problema de jogos de baixa qualidade — ou "slop" — gerados por inteligência artificial no Steam não é suficiente para enfrentar a realidade dos desenvolvedores independentes.
Rehm se manifestou no LinkedIn após a Valve anunciar mudanças no processo de revisão de jogos no Steam, em meio a uma onda de títulos criados com ajuda de IA. Apesar da nova política, que inclui exigências de divulgação de uso de IA nas páginas dos jogos, a empresa afirmou que não pretende interferir nos métodos de desenvolvimento dos criadores.
"É uma estratégia razoável se você tem tempo e equipe para isso, mas não serve para quem é um ou dois desenvolvedores que lançaram um único mecanismo criativo", afirmou Rehm, destacando que muitos dos criadores no Steam estão nessa posição. Ele também criticou a postura da Valve diante de relatos de extorsão por parte de pessoas que ameaçam clonar jogos, dizendo que a empresa considera o problema de responsabilidade de órgãos de segurança, não do próprio marketplace.
"Isso me faz pensar que a plataforma ainda vê esse problema como problema de outra pessoa", concluiu o diretor da Epic.
As críticas de Rehm ecoam preocupações sobre o tempo que a Valve tem levado para implementar soluções concretas. Com a proliferação de clones e jogos "vibe-coded" — muitos com pouca inovação — o cenário do Steam tem gerado frustração entre criadores e jogadores.
Além disso, o tom da crítica ganha um tom mais complexo por conta da posição da própria Epic Games. Enquanto a empresa exige transparência sobre o uso de IA na sua plataforma Fab, o Epic Games Store não exige o mesmo, o que levanta questionamentos sobre a consistência do discurso. Tim Sweeney, CEO da Epic, já havia criticado a exigência de divulgação de IA no Steam, comparando-a a um ato político.