"Dune 2: The Building of a Dynasty" — o jogo que ajudou a moldar o gênero RTS e inspirou títulos como Warcraft e League of Legends — está preso em um labirinto de direitos que pode impedir sua reedição oficial para sempre. Segundo Marcin Paczynski, da GOG, a situação é tão complicada que, mesmo com o interesse da loja em trazer o clássico de volta, a reedição parece improvável.

O jogo, lançado em 1992 pela Westwood Studios, é baseado no filme de 1984, dirigido por Dino De Laurentiis e produzido pela Universal Pictures. Ainda que a Electronic Arts (EA) detenha o código-fonte e os ativos do jogo, ela não tem os direitos sobre o universo de Dune — que, por sua vez, está dividido entre diferentes entidades.

Frank Herbert, autor do livro original, não deixou direitos diretos sobre a franquia para o jogo, já que ele foi inspirado no filme, não no livro. O direito do filme está dividido: parte com a Universal, outra com a herança de De Laurentiis, que faleceu há 15 anos. Além disso, a Legendary Pictures, responsável pelos novos filmes de Dune, tem um acordo com a Funcom para desenvolver "Dune Awakening", um jogo de sobrevivência com certos direitos exclusivos.

"É um caso clássico de como o sistema de licenças pode se tornar um caos", disse Paczynski. "É um dos meus jogos favoritos, um 'santo graal' para o GOG. Mas, com tantos interesses envolvidos, é quase impossível avançar."

Apesar da dificuldade, o interesse por Dune 2 permanece vivo — especialmente entre fãs que mantêm versões modificadas e patches para rodar o jogo em máquinas modernas. Esses projetos, feitos por comunidades, não precisam passar por burocracias legais, o que os torna a única forma viável de manter o jogo vivo.

Para o mercado brasileiro, a situação é ainda mais simbólica: jogos como esse representam um marco da história do PC, e sua ausência em plataformas oficiais deixa fãs sem acesso fácil — mesmo quando há demanda real.