Edgerunners 2 e o novo filme de Resident Evil estão redefinindo o que significa uma boa adaptação de jogo para outras mídias. Em vez de tentar recriar personagens icônicos com fidelidade, ambas as produções se concentram nos mundos que os jogos originaram — Night City e Raccoon City — e usam esses cenários como base para novas narrativas.
Segundo análise do GamesRadar+, o sucesso dessas adaptações está em respeitar o universo original sem tentar substituir os personagens que os fãs conhecem. Em vez disso, novos protagonistas são introduzidos em ambientes familiares, com elementos visuais e mecânicos que lembram os jogos — como o HUD do holofone em Edgerunners, que replica exatamente o sistema do Cyberpunk 2077.
Esse modelo evita os problemas comuns de adaptações: o choque entre expectativas do público e versões reimaginadas de personagens. Quando o foco está no mundo, há mais espaço para criatividade sem comprometer o legado do jogo original.
Outro ponto forte é a intertextualidade. O desenvolvedor da série, CD Projekt Red, incluiu itens, músicas e missões no jogo que referenciam o anime. Já o filme de Resident Evil, que homenageia o estilo dos jogos clássicos de sobrevivência, ganhou um novo tom metatextual ao ser transformado em um jogo PS1 — uma volta ao passado que reforça sua identidade.
Enquanto outras adaptações, como o retorno a Silent Hill, foram mal recebidas por serem muito fiéis ao original, Edgerunners 2 e o novo Resident Evil mostram que o caminho certo é expandir o universo, não recriar o passado.