No auge da febre do Pokémon, em 1998, a Nintendo lançou um jogo inovador para o Nintendo 64: Hey You, Pikachu!.

Na América do Norte, o título chegou em 2000 com o nome de Hey You, Pikachu!, e permitiu que jogadores construíssem uma amizade virtual com o icônico Pokémon, usando a própria voz como comando.

O sistema exigia um periférico chamado Unidade de Reconhecimento de Voz (VRU), conectado ao controle por meio de uma porta extra. Junto, vinha um microfone de pescoço com espuma amarela, projetado para captar vozes infantis com precisão.

O hardware era necessário porque o Nintendo 64 não tinha poder suficiente para processar áudio em tempo real e renderizar gráficos 3D ao mesmo tempo. A VRU usava um chip da NEC com memória própria para lidar com o sinal de voz.

O Pikachu respondia apenas a um repertório de cerca de 256 palavras — comandos como "pikachu", "até mais", "brincar" ou "comida". As respostas vinham com a voz original da atriz Ikue Otani, que dublava o personagem desde os primeiros jogos.

Além disso, o comportamento do Pikachu era intencionalmente imprevisível. Ele podia ignorar comandos, se distrair com objetos no chão ou simplesmente dormir no meio da conversa — uma tentativa de imitar a personalidade de um Pokémon real.

Apesar do sucesso, o sistema tinha limitações: vozes adultas eram mal reconhecidas, e o microfone só funcionava bem com crianças. Hoje, pesquisas de engenharia reversa mostram que emuladores com microfones modernos tornam o jogo muito mais sensível do que era originalmente.

Hoje, Hey You, Pikachu! é lembrado como um dos experimentos mais ousados da Nintendo — uma tentativa real de trazer inteligência artificial e interação de voz para o lar, antes mesmo do surgimento de assistentes como Alexa ou Siri.