Shawn Layden, ex-CEO da Sony Interactive Entertainment Worldwide Studios, afirmou durante entrevista ao podcast Expansion Pass que prefere jogos com duração entre 20 e 25 horas do que títulos de 100 horas, como muitos lançamentos atuais de grande orçamento.

Segundo ele, muitas dessas horas extras não são de qualidade. "Alguns momentos são só correr pelo deserto para pegar uma chave vermelha e abrir uma porta vermelha quando você volta", disse, criticando a repetição e o conteúdo previsível que muitos jogos de grande escala incorporam.

Layden acredita que o setor deveria voltar a focar em projetos mais contidos e envolventes. "Gostaria de ver um mundo onde temos bons jogos de 20 a 25 horas, cheios de ação como um filme de John Woo, que você simplesmente não consegue largar o controle", afirmou.

Ele associa esse crescimento excessivo ao surgimento da cultura de aluguel de jogos nos anos 90, quando desenvolvedores tentavam garantir que os títulos demorassem mais para serem concluídos — um movimento que, segundo ele, gerou uma mentalidade de "enchimento" que ainda persiste.

Apesar de reconhecer o sucesso de títulos como os remakes de Final Fantasy 7 e os jogos do Homem-Aranha da Insomniac, Layden destaca que mesmo esses jogos têm partes que ele considera desinteressantes, como missões secundárias genéricas ou design repetitivo.

O ex-executivo também mencionou que o aumento nos custos de produção — com jogos como GTA 6 e Battlefield 6 estimados em centenas de milhões de dólares — está levando a demissões em larga escala. Ele acredita que um modelo mais sustentável passa por títulos menores, com foco em qualidade, não em quantidade.

Curiosamente, mesmo com o plano de acabar com os discos físicos, a Sony ainda vende muitos títulos em mídia física no Brasil e em outros mercados, como o lançamento de Marvel's Wolverine, que teve 35% de vendas em disco.