A Nintendo reafirmou, durante a BGS 2026, que não tem intenção de eliminar os jogos físicos no mercado da América Latina — um dos pilares do seu posicionamento no continente. Segundo Romina Whitlock, diretora de marketing da Nintendo of America para a região, o formato físico ainda é essencial para os consumidores brasileiros e faz parte da identidade da empresa.

Com um estande de 1000m², a Nintendo foi destaque no evento, oferecendo testes de títulos exclusivos e third-party, incluindo o retorno de Call of Duty: Modern Warfare 4, em parceria com a Activision. A presença ativa em feiras como a BGS, CCXP e gamescom LATAM é estratégica: permite que jogadores experimentem os games antes de comprar, algo crucial em um mercado onde os preços dos jogos são mais altos do que em outros países.

Whitlock destacou que a empresa se importa com o que os fãs querem. A volta de Charles Martinet ao Brasil — com presença diária no evento para fotos — é um exemplo disso. "Se fizermos isso pelos fãs, teremos uma ótima oportunidade de criar um nível maior de proximidade com a marca", disse.

Outro ponto destacado foi o esforço em localizar jogos para o português brasileiro. A Nintendo começou com títulos de grandes franquias como Mario e Zelda, mas tem avançado com títulos como Xenoblade Chronicles, Bayonetta e Fire Emblem — todos com conteúdo narrativo extenso. "Sabemos que, assim que localizamos um jogo, tornamos o acesso possível para mais pessoas", afirmou Whitlock.

Apesar do crescimento do digital, a Nintendo mantém o formato físico como prioridade. A empresa não tem planos de deixar de produzir mídia física em nenhum lugar do mundo, inclusive no Brasil, onde a pré-venda do remake de Ocarina of Time esgotou rapidamente. "O ecossistema de jogos físicos na América Latina é muito importante", reforçou.

Os Game-Key Cards, que funcionam como um cartão físico para ativar downloads, são uma solução intermediária. Segundo Whitlock, não se trata de uma transição para o digital, mas sim de uma necessidade técnica: os tamanhos dos jogos atuais são tão grandes que não cabem em um único cartucho.

"Não é porque estamos incentivando as pessoas a comprar a versão digital. A questão é 100% logística", explicou. A Nintendo também mantém preços distintos para versões digital e física, com a física sendo mais cara por causa da tributação no Brasil.

Com 139 anos de história, a empresa enfatiza sua tradição familiar e o envolvimento humano no processo de desenvolvimento. "Ainda temos nossos próprios desenvolvedores criando nossos jogos; temos seres humanos colocando a mão na massa em todo o processo", disse Whitlock. "Mas outra coisa é que realmente sinto que a empresa ouve os consumidores."