Clive Barker's Hellraiser: Revival chega com tudo nesta temporada de terror, repleto de gore, ambientes sombrios e uma atmosfera que beira o sadomasoquismo. A trama acompanha Aiden Lynch, que entra em um culto de morte e se vê envolvido em um labirinto de torturas sob o comando de Pinhead.

Apesar da atmosfera densa e dos homenagens ao gênero de sobrevivência, o jogo sofre com uma escolha de perspectiva que prejudica a imersão. A primeira pessoa, usada para criar um senso de envolvimento, acaba criando confusão sobre quem é o protagonista.

Enquanto em Resident Evil 7 o personagem Ethan Winters é intencionalmente mantido anônimo — com rosto escondido em cortes e promoções — para que o jogador se identifique com ele, Hellraiser Revival apresenta Aiden Lynch com um passado, personalidade e traços visíveis desde os primeiros momentos em terceira pessoa. Isso quebra a ilusão de que o jogador é o protagonista, tornando a experiência confusa.

Além disso, o combate em primeira pessoa se mostra desajeitado, especialmente em confrontos com armas brancas. A falta de peso e realismo na ação afeta negativamente o ritmo do jogo, que poderia ter se saído melhor como um título em terceira pessoa com foco em ação e narrativa.

Apesar de ter um charme próprio e ser um prato cheio para fãs de horror extremo, Hellraiser: Revival demonstra que copiar o sucesso de outro jogo não garante qualidade — especialmente quando o tom e a identidade do personagem não são respeitados.