Em um momento crucial do processo judicial contra a Rockstar Games, o gerente de RH e diretor de operações da unidade de Lincoln, Charlie Kinloch, afirmou ter tido "pouco interesse" na filiação sindical de funcionários, mesmo após receber mensagens anônimas sobre atividades de organização sindical no Discord da empresa.

O caso, que envolve 31 ex-funcionários demitidos e representados pelo Independent Workers' Union of Great Britain (IWGB), alega que a demissão foi parte de uma campanha de combate a sindicatos, especialmente após a divulgação de conversas em um grupo interno sobre união e críticas ao ambiente de trabalho.

Kinloch foi questionado sobre declarações contraditórias feitas durante o processo. Inicialmente, disse não saber quem eram os membros do sindicato. Mais tarde, afirmou que não tinha como saber "definitivamente" quem estava filiado. Ele negou intenção de enganar o tribunal, alegando que a mudança de palavras ocorreu por solicitação de contexto.

Segundo os acusados, mensagens enviadas por um colaborador anônimo (AB) continham informações sobre reuniões de sindicalização, distribuição de panfletos e reclamações sobre as condições de trabalho. Kinloch rejeitou que essas mensagens identificassem membros do IWGB, destacando que sua atenção estava voltada para "desacreditação e desinformação" sobre a Rockstar, especialmente em meio ao aumento da atenção midiática em torno do lançamento de Grand Theft Auto 6.

O gerente explicou que o período antes do anúncio do jogo foi de "escrutínio intenso", com risco de danos financeiros caso críticas fossem divulgadas. Ele destacou que o crescimento do Discord interno e o aumento de comentários negativos foram sinais de alerta.

Dois pontos específicos chamaram a atenção: a proposta de criar um Twitter oficial do sindicato da Rockstar e o plano de conversar com jornalistas renomados, como Jason Schrier (Bloomberg) e Keza Macdonald (The Guardian). Para Kinloch, ambos representavam riscos de segurança.

A Rockstar alega que houve uma "quebra irreversível de confiança" e que a demissão de 34 funcionários foi justificada por comportamento inadequado e vazamento de informações confidenciais. O julgamento segue nesta semana, com testemunhas ex-funcionários prestes a se apresentar em um dos processos mais importantes da indústria de jogos nos últimos anos.