Em jogos de extração como Arc Raiders, o trauma de ser traido por um aliado é comum. Um jogador se perguntou: será que dá para evitar isso? A resposta veio de um dos poucos cientistas políticos do mundo especializados em games.

James 'Pigeon' Fielder, que atua na Academia da Força Aérea dos EUA, estuda como teorias políticas se aplicam em universos virtuais. Segundo ele, jogos como Arc Raiders são como experimentos com frutas-das-moscas: permitem observar fenômenos políticos, como conflitos e alianças, em escalas muito mais rápidas do que na vida real.

Fielder chegou a essa área após usar RPGs em missões militares. Sua habilidade em criar exercícios de simulação baseados em jogos chamou a atenção dos comandantes — chegando a organizar um cenário com 5 mil participantes e 168 horas de duração.

Ele explica que, em jogos multiplayer, a traição não é apenas um problema de desconfiança, mas um comportamento racional baseado em incentivos. Quem ataca primeiro ou trai, geralmente ganha vantagem. A solução, segundo ele, não é confiar cegamente, mas entender os padrões de decisão dos outros jogadores.

Em vez de tentar convencer o outro de que não é uma ameaça, o ideal é tornar-se um jogador que não vale a pena atacar. Isso envolve não apenas estratégias de combate, mas também sinais claros de cooperação, como compartilhar recursos ou evitar áreas de alto risco.

Para o jogador brasileiro, o alerta é ainda mais relevante: em servidores regionais, a dinâmica de confiança pode ser ainda mais instável, especialmente em jogos com sistema de loot e progressão individual.