Dois semanas após o lançamento de um mod que traz netcode rollback para Tekken 6, a comunidade de jogos de luta está dividida. Criado por um membro da comunidade chamado Ekspym, o mod permite que jogadores acessem o jogo de forma online com conexão mais estável — algo que o original nunca teve.

Segundo dados do próprio mod, ele não inclui o firmware ou o jogo original, mas funciona como um emulador. Em pouco tempo, o projeto já reuniu mais de 10 mil jogadores e foi baixado mais de 4,5 mil vezes até 15 de outubro.

O movimento gerou uma reação intensa, especialmente entre jogadores japoneses e sul-coreanos. Dogura, jogador profissional conhecido no cenário de luta, afirmou em postagem no X (antigo Twitter) que o uso do jogo pirata ultrapassa os limites éticos. "Estou horrorizado que ninguém lá fora esteja levantando vozes contra isso", escreveu. Para ele, a diferença de valores culturais torna difícil qualquer diálogo.

Outro usuário japonês, Higemura, temeu que o sucesso do mod pudesse levar à extinção da série Tekken. "Se o tráfego migrar para esse serviço sem autorização, e o dinheiro parar de ir para o serviço oficial, a série pode acabar", alertou.

Alguns jogadores da região chegaram a usar comparações extremas: um sul-coreano disse que o mod é como assédio sexual; outro japonês o comparou a necrofilia. Essas reações intensificaram o debate sobre direitos autorais, emulação e o que é considerado aceitável no uso de jogos antigos.

Na América do Norte e Europa, a reação foi bem mais leve. Muitos jogadores argumentam que, como Tekken 6 não está mais disponível para compra legalmente no mercado ocidental e que o jogo original está desatualizado, o mod é uma forma de manter o jogo vivo. "Se eu pego uma bicicleta quebrada no lixo e conserto, por que estou roubando da empresa?", questionou um usuário.

Apesar do furor, a Bandai Namco ainda não se manifestou oficialmente sobre o mod. Alguns jogadores japoneses, inclusive, criticaram o posicionamento rígido de Dogura, lembrando que até jogadores profissionais usam cabines piratas em torneios.

O caso mostra uma divisão profunda entre o que é considerado ético no uso de jogos antigos: enquanto o Ocidente vê emulação como uma forma de preservação, a Ásia, especialmente Japão e Coreia, mantém uma postura mais conservadora sobre direitos autorais.