Segundo fontes anônimas entrevistadas pela Vertical Slice, a moral interna na Electronic Arts está em seu pior momento desde o anúncio do fechamento do estúdio responsável por Mass Effect e Dragon Age, a BioWare. O processo de demissões é descrito como profundamente disruptivo e emocionalmente perturbador, com segredos sobre os cortes que deixam colegas sem saber quem foi demitido até verem anúncios no LinkedIn.

As reuniões online com os funcionários afetados foram consideradas extremamente impessoais, com chats desativados e participantes ocultos, dificultando qualquer interação ou esclarecimento. Um funcionário afirmou que a mensagem repetida era "faça menos, mas melhor", mas que na prática o trabalho continuou igual com menos pessoas.

Os executivos são retratados como desconectados tanto da equipe quanto do processo de desenvolvimento de jogos. A adoção de ferramentas de IA, como o Claude, foi vista com desconfiança por muitos, com gerentes dizendo que "isso é o futuro, você precisa se adaptar". Mesmo sem obrigatoriedade, há relatos de que o uso de IA está sendo empurrado de forma a tornar o trabalho sem ela cada vez mais difícil.

O cenário piorou após a aquisição da EA por um consórcio liderado pelo Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita (PIF), Jared Kushner e Silver Lake, por 55 bilhões de dólares. A empresa assumiu 20 bilhões em dívidas e anunciou a redução de 700 milhões de dólares em custos por ano, dos quais 170 milhões seriam cortados por "eficiências organizacionais".

Um funcionário descreveu o clima atual como "um lugar frio e morto que está lentamente se deteriorando enquanto a liderança pilha cada último centavo". Outro comentou que o e-mail sobre as mudanças internas soava como se tivesse sido escrito por um robô, "o que resume perfeitamente a EA".

Apesar de o mercado brasileiro não ser diretamente mencionado, o impacto da crise na EA pode afetar jogos e serviços disponíveis no país, especialmente títulos como Mass Effect, que foram cancelados após a aquisição.