GTA Advance é um jogo estranho. Mal feito em alguns aspectos, mas nem tão ruim quanto sua fama sugere. Ele é, no entanto, parte essencial da trajetória da Rockstar — um experimento que mostrou o que não funcionava na série, mesmo que com uma proposta ambiciosa demais para o hardware da época.

O jogo, lançado em 2004, se passa em Liberty City antes dos eventos de GTA III, com Mike, um pequeno criminoso que quer sair da vida ilegal. Tudo muda quando seu parceiro é assassinado pela máfia, o que o empurra para uma vingança que ele não quer. A trama tem um desfecho surpreendente, com um tom mais urgente e pessoal do que muitos jogos modernos da franquia.

Apesar da história interessante, o jogo é uma dor de cabeça para jogar. O framerate está péssimo, os controles são confusos e o sistema do Game Boy Advance não conseguiu suportar a visão de mundo aberta que Rockstar tentou trazer. A exploração da cidade é bem feita, mas tudo parece travado, e as missões secundárias — como corridas e incêndios — são repetitivas e mal implementadas.

Na verdade, GTA Advance foi um experimento necessário. Ele mostrou à Rockstar que, mesmo com uma ideia ousada, o sucesso dependia de detalhes que muitas vezes são subestimados: controle, performance, sonoplastia e experiência do jogador. O jogo foi um fracasso comercial e crítico, mas serviu como lição crucial para o desenvolvimento de títulos posteriores.

Hoje, com os padrões de qualidade e os custos de produção, um jogo como GTA Advance — que tenta adaptar uma franquia de grande escala a um hardware limitado — seria impensável. A indústria não tolera mais os erros que faziam parte da evolução da Rockstar nos anos 2000.

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