O remake de The Legend of Zelda: Ocarina of Time, lançado em 5 de novembro, surpreendeu com uma reinterpretação ousada e carinhosa do clássico de 1998. Durante o evento de demonstração oficial, o jogo mostrou como uma nova geração de tecnologia pode resgatar memórias sem apagar o passado.

Kokiri Forest foi reconstruída com mais detalhes, tornando seus limites visuais mais naturais e reforçando a sensação de proteção ao redor da infância de Link. A cena em que ele finalmente aprende a pular, após 28 anos, foi um momento emocionante — e até engraçado — para os fãs que vivenciaram a versão original.

Hyrule Field ganha um novo fôlego com o rancho Lon Lon integrado às colinas de forma mais orgânica. Ao se aproximar da cidade de Hyrule, um prédio abandonado ao lado do fosso revela pistas de um passado mais movimentado. O centro urbano, por sua vez, explode em cores e vida, com NPCs com novos designs e mais interações possíveis, incluindo acesso a edifícios que antes eram inacessíveis.

O Templo do Tempo permanece imponente, com sua presença calma e solene, enquanto o jogador percebe pequenos detalhes — como um NPC desmaiado em um beco — que ecoam o tom de mistério do original. O jogo consegue equilibrar nostalgia e inovação com precisão.

No Forest Temple, o Link adulto enfrenta uma mansão esquecida no meio da floresta sagrada. Os quatro poes, cada um com aparência, forma e cor distintas, trazem uma sensação de individualidade e ameaça que vai além da mera mecânica de jogo. Os detalhes arquitetônicos, como o mármore antigo e os pisos de piscina, remetem à estética de Tomb Raider 3, enquanto o ambiente gera uma atmosfera de tensão que lembra Resident Evil.

Elementos modernos, como a câmera panorâmica ao entrar em Hyrule Field, o sistema de menus e o sistema de seleção de itens ao pressionar o botão R no controle Switch 2 Pro, são claramente inspirados em Breath of the Wild. A interface, os efeitos de carga e o estilo visual dos menus reforçam essa ligação.

Para veteranos, isso é mais do que um toque estético: é um convite para reavaliar o jogo com olhos novos. A câmera fixa do original foi substituída por uma mais dinâmica, facilitando a descoberta de segredos. A troca de itens em tempo real, como o Hookshot e o fogo de Din, torna os combates mais fluidos e estratégicos.

Apesar das atualizações, o remake não tenta apagar o passado. Em vez disso, ele propõe um diálogo entre o clássico e o contemporâneo. O resultado é uma experiência que respeita a história original, mas não se prende a ela — e isso é exatamente o que o torna tão especial no mercado brasileiro, onde os jogos de Zelda têm um público fiel e exigente.