Na cena icônica do primeiro Tomb Raider, Lara Croft enfrenta um T-Rex em um momento de tensão que marcou gerações. Mas, para os paleontólogos, essa cena não é um marco da narrativa — é um exemplo do problema: os dinossauros nos videogames são quase sempre retratados como monstros a serem caçados, não como seres que fizeram parte da história da vida na Terra.

Desde 3D Monster Maze, em 1982, até jogos como Turok, Dino Crisis e até mesmo adaptações de King Kong, o padrão se repetiu: o dinossauro como inimigo. Mesmo com o sucesso de Jurassic Park, que trouxe uma nova onda de interesse, os jogos seguiram a linha de usar os saurópodes como obstáculos ou alvos, em vez de representá-los com base em dados científicos.

É só com o lançamento de Saurian, em 2017, que algo mudou. O simulador para PC tentou se basear em pesquisas reais para mostrar como um dinossauro vivia — alimentação, comportamento, interações com o ambiente. Um passo em direção à verdade, mas ainda um nicho.

Segundo um estudo citado pela IGN Brasil, a maioria dos jogos trata os dinossauros como ferramentas de violência, colecionáveis ou troféus. Poucos usam a oportunidade para educar. E isso é um problema, porque videogames são uma das formas mais eficazes de ensinar ciência de forma envolvente — especialmente temas como evolução e biodiversidade.

Ainda assim, transformar os dinossauros em personagens reais, com hábitos e ecossistemas baseados em evidências, não é simples. O mercado prioriza entretenimento, e o público costuma se interessar mais por ação do que por ciência. Mas existem experiências como Dinosaur Fossil Hunter, que mostram que há espaço para algo mais sério.

Para os paleontólogos, a representação dos dinossauros nos jogos não é só errada — é uma perda de oportunidade. Um mundo onde os saurópodes são vistos como seres vivos, não como monstros, poderia mudar a forma como as pessoas entendem a história da vida no planeta.