Um projeto de lei de segurança em inteligência artificial, divulgado de forma confidencial pela Anthropic, está gerando polêmica nos EUA. Segundo informações do Politico, obtidas por meio de um documento interno, a proposta só permitiria que o governo interviesse em um modelo de IA se houvesse um risco previsível e iminente de danos superiores a US$ 1 bilhão ou de morte ou ferimentos graves em mais de 50 pessoas.
Os cenários considerados incluem a criação ou liberação de armas biológicas, ataques cibernéticos ou o descontrole de um sistema de IA por parte de seu desenvolvedor. A empresa, responsável pelo modelo Claude, afirma que o projeto está alinhado ao seu "Framework de IA Avançada", que vem sendo apresentado a legisladores desde junho de 2026.
Um porta-voz da Anthropic disse que a proposta representa "políticas sensatas" que o Congresso deveria adotar. No entanto, especialistas e críticos argumentam que o limite estabelecido é excessivamente alto, permitindo que grandes empresas operem com pouca fiscalização até que o dano seja catastrófico.
Isso reforça preocupações sobre o uso de riscos hipotéticos — como o fim da humanidade — para justificar a autorregulação das empresas de IA, enquanto os danos reais, como impactos na saúde mental, desemprego estrutural e manipulação de dados, são ignorados. A situação se torna ainda mais controversa com o recente pedido de demissão do líder de segurança da Anthropic, que alertou sobre um "mundo em perigo".
Em paralelo, a OpenAI foi recentemente acusada por oito procuradores-gerais dos EUA de ignorar seus próprios avisos de segurança em nome do lucro, reforçando a suspeita de que as propostas como essa servem mais para criar aparência de responsabilidade do que para garantir efetiva proteção ao público.