Quem cresceu nos anos 2000 sabe bem o que é jogar games gratuitos no navegador, entre uma aula e outra, com um PC antigo e pouca grana. Entre os títulos que marcaram a infância de muitos, um se destaca por sua singularidade: Puzzle Pirates.

Um MMO onde você é um pirata e tudo — desde navegar até consertar o barco — é feito por meio de minigames baseados em puzzles clássicos. Bilhar é um Bejeweled, navegar lembra Doctor Mario, e consertar as velas é como um Pipe Dream. Um conceito tão nicho que parecia destinado ao esquecimento.

Surpresa: o jogo ainda existe. Ainda é oficial, ainda está no Steam, e, após 23 anos, continua funcionando como nos tempos de infância. Sem servidores privados, sem remake, sem alterações drásticas. Apenas o mesmo ritmo lento, as mesmas músicas animadas e a mesma sensação de estar em um mundo onde o tempo não passa.

Após uma nova conta ser criada — com o nome bem humorado de Johnpcgamer —, a jornada começou. Os primeiros minutos são uma lembrança fiel: o tutorial, o convite para gastar dinheiro em moedas premium, o ritmo pausado dos combates e a sensação de que o jogo foi feito para quem tem tempo, paciência e habilidade com puzzles.

Apesar de o número de jogadores ter caído drasticamente, o jogo ainda tem uma comunidade ativa. Os jogadores veteranos são quase lendários — com centenas de missões concluídas, muito ouro e habilidade em todos os minigames. Os bots são úteis para aprender, mas o jogo é claro: ele foi feito para quem se dedica.

Na cidade, tudo é gerido por jogadores: lojas de roupas, tabernas, oficinas. A moda é o verdadeiro foco, como em muitos MMOs. Tentar jogar um jogo de beber com NPCs foi um desastre: eles se recusaram a competir, por respeito ao “pobre marinheiro”.

O problema é que grande parte do conteúdo está bloqueado para novos jogadores. Tudo é caro — até mesmo comprar moedas. O jogo, que era livre no início, agora exige investimento para entrar em muitas partes do universo.

Apesar disso, Puzzle Pirates permanece como um dos poucos MMOs do início da internet que ainda estão vivos. Um relicário digital de uma era em que jogos eram feitos com paixão, não com fórmulas de monetização.

Foto: Bricknave / Openverse