Um relatório recente da IDC indica que as remessas de PCs no mundo caíram 4,9% do segundo trimestre do ano passado para o mesmo período deste ano. Este é o primeiro declínio após nove trimestres consecutivos de crescimento, e a crise de memória é apontada como a principal responsável por essa queda.
Os dados mostram que a Lenovo viu suas remessas cair de 17 milhões para 16,6 milhões de unidades, enquanto a HP passou de 14,3 milhões para 13 milhões. A Dell também registrou uma diminuição, indo de 9,8 milhões para 9,3 milhões. A Asus manteve um crescimento quase estável, enquanto a Apple foi a única a registrar aumento nas vendas, passando de 6,1 milhões para 6,7 milhões de unidades, o que representa um crescimento de 10%.
Apesar da queda nas remessas, muitas empresas não estão enfrentando grandes perdas em receita. Isso se deve à capacidade de repassar os custos elevados dos componentes para os consumidores. Jitesh Ubrani, diretor de pesquisa de dispositivos de consumo da IDC, comentou que "o verdadeiro problema é a desconexão entre unidades e receita: as remessas estão caindo, mas a receita está aumentando porque os fornecedores estão aumentando os preços mais rapidamente do que a demanda está caindo".
A IDC também destacou que a gestão da cadeia de suprimentos será crucial nos próximos anos, com grandes fabricantes optando por contratos de longo prazo para garantir o fornecimento de memória e armazenamento. Isso pode dificultar a situação para empresas menores, que terão que lidar com o poder de compra e negociação das maiores marcas.
Além disso, a Apple conseguiu se beneficiar da situação com o lançamento de seu novo MacBook Neo. Jean Philippe Bouchard, vice-presidente de dispositivos de consumo da IDC, afirmou que o aumento da participação da Apple no mercado coincidiu com esse lançamento, e apesar do aumento de preços, a empresa se mantém bem posicionada em relação aos concorrentes que enfrentam as mesmas pressões de custo.
Vale lembrar que este relatório se refere às remessas globais de PCs, e não necessariamente aos PCs voltados para jogos, que costumam se sair melhor em períodos de queda. No entanto, a crise de memória parece estar longe de uma resolução, com previsões de que ela continue afetando o mercado por mais um ano.


