O Xbox apresentou seu primeiro relatório de resultados desde a reestruturação mais profunda da história da divisão, anunciada por Asha Sharma. Apesar da eliminação de mais de 1.600 cargos — com um total de 3.200 até julho do próximo ano — os números divulgados pela Microsoft não revelam grandes alterações nos resultados financeiros.

O faturamento com conteúdo e serviços do Xbox caiu 2% no primeiro trimestre fiscal (julho a setembro), impulsionado por queda na receita de terceiros e pelo ajuste de preços do Game Pass, que entrou em vigor em abril. Já o faturamento com hardware recuou 14% em relação ao mesmo período do ano anterior, uma tendência constante nos últimos trimestres.

Um ponto destacado no relatório é a redução de 3% nas despesas operacionais da divisão Devices and Consumer, atribuída ao Xbox. Isso pode indicar que os cortes de pessoal estão gerando economia. Porém, esse ganho foi compensado por novos investimentos em pesquisa e desenvolvimento, capacidade computacional e talentos — áreas que envolvem Windows, busca e publicidade.

Além disso, o custo de produção da divisão caiu 8%, em grande parte por conta da amortização reduzida de ativos intangíveis decorrentes da aquisição da Activision. Ou seja, os direitos de marcas e patentes adquiridos com a Activision estão sendo considerados menos valiosos do que antes.

Apesar dos cortes, o mercado não mudou: o Game Pass continua com preço menor, mas sem aumento de receita; os consoles continuam mais caros, o que afasta consumidores. A única novidade do trimestre foi o remake de Halo e os portes de Black Ops 1 e 2 para PS5, que venderam 11 milhões de cópias na PlayStation, mas não tiveram impacto visível no desempenho do Xbox.

É cedo para avaliar o real efeito da reestruturação. O que está claro é que demitir funcionários não altera as condições de mercado nem vende mais consoles. O que o novo rumo do Xbox fará nos resultados que importam para os acionistas ainda é um mistério.