A Valve está diante de um desafio crescente no Steam: a avalanche de jogos de baixa qualidade gerados por inteligência artificial e cópias feitas com IA de títulos existentes. Durante o Steam Indie Connect, na Coreia, a equipe de negócios da plataforma respondeu a perguntas de desenvolvedores sobre o tema, admitindo que o problema é real — mas reforçando que não há planos de proibir o uso de IA.
Segundo Tom Giardino, da Valve, os clones de IA não são novidade, mas a tecnologia acelerou o processo. A empresa não pretende atuar como “guardiães” que decidem quais ferramentas os criadores podem usar. Em vez disso, o foco está em incentivar os desenvolvedores a se diferenciarem com criatividade, personalidade e melhorias contínuas, e não em copiar mecânicas únicas.
Outro ponto levantado foi a dificuldade de visibilidade. No Steam Next Fest, que reuniu mais de 8.000 demos em 2024, cerca de 17% das versões iniciais mostraram uso de IA no ano passado — e a tendência pode ter aumentado. Muitos criadores se preocupam em ter seus jogos engolidos por uma enxurrada de produtos descartáveis.
Apesar disso, Marc Wilkinson, da Valve, afirmou que o algoritmo de recomendação do Steam é projetado para ser aleatório nos primeiros dias do evento, evitando que desenvolvedores tentem manipular o sistema. Depois, as recomendações personalizadas passam a funcionar com base no comportamento dos usuários, aumentando as chances de jogos autênticos serem descobertos.
“Reconhecemos que alguns jogos de baixa qualidade acabam sendo expostos”, disse Wilkinson. “Mas estamos plenamente cientes da situação, e um número significativo de pessoas está pensando em como resolver isso.”
A empresa não descarta melhorias no sistema, mas mantém a filosofia de não restringir o acesso. “Em vez de limitar o acesso dos desenvolvedores, tornar o Steam uma plataforma mais inteligente e dinâmica é o ponto de partida da nossa filosofia”, afirmou Giardino.