Centros de dados voltados para inteligência artificial estão se expandindo nos Estados Unidos, mas essa expansão traz consigo um problema crescente: roubos de carga de alto valor. Desde junho de 2026, estimativas apontam que mais de US$ 100 milhões em equipamentos — como servidores, racks, memórias e cabos de fibra óptica — foram roubados em diversas operações.

Um dos casos mais recentes envolveu uma carga de US$ 13 milhões em equipamentos de servidor no deserto de Mojave, onde a equipe de segurança foi atacada por um veículo que forçou o caminhão a parar. O trailer foi encontrado posteriormente sem o conteúdo valioso. Um segundo incidente, com perda estimada em US$ 10 milhões, envolveu uma colisão semelhante com o veículo de segurança.

Gerado Pachucha, ex-agente do Departamento de Polícia do Condado de Los Angeles, afirmou que os atos não foram acidentes: "Os criminosos queriam aquela carga, então eles a atacaram deliberadamente".

Keith Lewis, da Verisk CargoNet, comparou o roubo de equipamentos de data center a "roubar barras de ouro puro". Ele destacou que alguns roubos já chegaram a valores superiores a US$ 30 milhões por carga, tornando o crime mais lucrativo do que assaltos a bancos.

Além dos ataques diretos, o FBI alertou em abril sobre roubos "cibernéticos estratégicos", em que criminosos se passam por corretores de carga, manipulam sistemas e redirecionam cargas para caminhões complicitos. Esses métodos indicam uma organização sofisticada, com operações planejadas em múltiplos países.

Scott Cornell, da Transported Asset Protection Association, afirmou que esses grupos são "organizações altamente especializadas" que atuam como "xadrez no sistema de transporte". Estados como Califórnia, Arizona, Tennessee e Illinois já criaram forças-tarefa específicas para combater o crime contra carga.

Empresas de segurança privada relatam aumento na demanda por escortas, enquanto um novo projeto de lei para combater o crime organizado no varejo está em discussão no Congresso dos EUA.