Mark Darrah, ex-desenvolvedor da BioWare e co-diretor de Dragon Age: Origins, está preocupado com o rumo que os grandes RPGs estão tomando — especialmente os da CD Projekt Red. Em entrevista ao Summer Eternal Anthology, ele destaca que a indústria está cada vez mais pressionada a criar títulos do porte de GTA 6, com orçamentos astronômicos e expectativas de venda que tornam o fracasso quase inevitável.

Segundo Darrah, jogos desse tamanho precisam vender entre 15 e 20 milhões de unidades apenas para se tornarem rentáveis. "Isso é um lugar perigoso para estar", afirma. Ele acredita que o modelo atual, que exige vendas massivas para cobrir custos, está esgotando a criatividade e colocando estúdios em risco financeiro, mesmo com IPs fortes como The Witcher.

"Não quero trabalhar em algo que precise vender 50 milhões de cópias para não perder dinheiro", diz ele, comparando o cenário atual ao de grandes franquias que não conseguem alcançar essas metas. Para Darrah, um futuro mais saudável seria aquele em que títulos com orçamentos menores — que precisam vender apenas 3 a 4 milhões — pudessem prosperar, como Clair Obscur: Expedition 33.

A CD Projekt Red, por sua vez, está atualmente envolvida em múltiplos projetos simultâneos, incluindo The Witcher 4, Cyberpunk 2077 e o misterioso Project Hadar, que já passou da fase de mundo construído e entrou em testes de protótipo. O CEO da empresa, Adam Badowski, já afirmou que não se pode fazer um jogo como The Witcher 4 ou GTA 6 com foco apenas em custos — um sinal de que o estúdio está ciente dos desafios.

Apesar das preocupações, a empresa segue investindo em tecnologia, com The Witcher 4 abandonando seu motor próprio em favor do Unreal Engine 5, algo que não foi motivado apenas pela experiência com Cyberpunk 2077, segundo a equipe.