Sam Altman, CEO do OpenAI, provocou reações no mundo dos games após afirmar que é "terrível" que a memória RAM de PCs gamers esteja sendo usada apenas 5% do tempo. A declaração, feita em entrevista, gerou críticas por parecer desconectada da realidade do mercado de hardware, especialmente em meio a uma escassez global de DRAM e HBM.
Segundo Altman, a alocação global de memória seria mais eficiente se o suprimento fosse direcionado a centros de dados para treinar modelos de IA. Ele argumentou que, em um ambiente com recursos limitados, o uso máximo da memória no cloud é essencial. No entanto, o comentário foi visto como simplista e desinformado por especialistas e entusiastas de PC.
Na prática, jogadores de PC investem pesado em hardware — incluindo RAM — para obter desempenho máximo. Muitos enfrentam limitações orçamentárias e acabam com menos memória do que desejariam. A ideia de que ela é usada só 5% do tempo é, portanto, um exagero que ignora o uso intensivo em jogos, multitarefa e produção.
Além disso, o cenário atual é marcado por uma demanda crescente por memória devido à expansão de data centers de IA. Empresas como Samsung já firmaram acordos massivos com o OpenAI, fornecendo centenas de milhares de wafers por mês — o que representa cerca de 40% da produção global de DRAM/HBM.
Enquanto isso, o mercado de PCs está em queda: segundo o IDC, as vendas de hardware de desktop caíram 20,1% no terceiro trimestre de 2026. Essa queda reflete, em parte, a competição por recursos entre jogos e IA — mas não justifica a minimização do uso real de RAM por gamers.
O tom da fala de Altman reforça uma visão crítica sobre a indústria de IA: uma abordagem acelerada, com pouca consideração pelas consequências reais para consumidores e mercados locais. No Brasil, onde o preço de componentes ainda é sensível, esse tipo de discurso pode parecer ainda mais deslocado.