Depois de um mês usando o Steam Frame, minha opinião sobre o Steam Deck mudou. Não é que ele seja ruim — longe disso. Mas o novo headset da Valve me fez perceber que, para quem quer jogar em VR e ainda ter acesso à biblioteca de jogos do PC de forma portátil, o Frame pode ser uma escolha mais inteligente.
Ele não é um sucessor direto do Valve Index. Enquanto o Index prioriza conexão sem perdas e desempenho bruto, o Frame aposta em leveza, conforto e mobilidade. É como se fosse um Steam Deck que você coloca na cara — só que com um foco claro em experiências de realidade virtual.
Funciona com um dongle sem fio que cria uma rede dedicada em casa, transmitindo jogos do PC via Steam Link. A tecnologia de foveação ajuda a reduzir a compressão de imagem, mantendo o visual aceitável mesmo em jogos pesados. Os controles são excelentes: precisos, leves e com feedback tátil bem ajustado.
Porém, o preço — acima de R$ 5 mil no Brasil — e a bateria que dura pouco mais de uma hora são pontos críticos. Também não há modo cablado, o que deixa de lado quem quer conexão direta com o PC. Ainda assim, a ideia de levar sua biblioteca de jogos do Steam para qualquer lugar, com qualidade suficiente para jogar em VR, é um avanço significativo.
Apesar da indústria de VR estar em crise — com Meta desistindo de seus estúdios, Sony vendendo seus ativos e Apple mantendo seu modelo de preço inatingível — o Steam Frame se posiciona como um dos poucos dispositivos realmente voltados para jogadores. Não é perfeito, mas é uma das poucas tentativas reais de tornar a realidade virtual acessível e prática.