Stranger Than Heaven, o novo projeto da RGG Studio, está se mostrando como um dos títulos mais ousados da atual geração. Após uma demonstração inicial de 45 minutos que deixava dúvidas sobre seu combate lento, a nova demo de três horas revelou um jogo muito mais maduro — com uma narrativa emocionante, mecânicas de luta mais fluidas e uma série de minigames que se destacam pela originalidade.

Uma história sobre identidade e discriminação

O jogo acompanha Makoto Daito, um homem de ascendência mista, em meio a uma era tumultuada entre os EUA e o Japão, desde 1915 até os anos 1960. A trama começa em São Francisco, onde ele foge de acusações falsas — um crime que não cometeu — enquanto é perseguido por policiais que usam preconceito contra estrangeiros. O tom é pesado, com diálogos que trazem termos ofensivos da época, reforçando a realidade de exclusão que o personagem enfrenta.

Após escapar como passivo em um navio, Makoto chega a Kokura, um vilarejo japonês onde conhece Orpheus, um personagem interpretado por Snoop Dogg. A presença do rapper é um dos pontos mais discutidos, mas a equipe afirma que sua função é simbólica: a música como forma de unir forasteiros e criar comunidade. A interação com o personagem inclui até mecânicas de crafting de cigarros, que dão bônus temporários — um detalhe que combina com o tom de vida cotidiana do jogo.

Combate calculado e evoluído

Os combates, que pareciam pesados no primeiro demo, foram reajustados. O sistema de paradas direcionais — onde é preciso parar um ataque com um golpe leve à esquerda ou à direita — exige atenção aos movimentos dos inimigos. Com o tempo, o jogador consegue dominar o ritmo, especialmente em confrontos com grupos e no desafio final contra um chefe.

As armas têm características distintas: espadas grandes são poderosas, mas lentas; martelos quebram defesas, mas reduzem mobilidade. A escolha mais equilibrada, segundo o teste, foi o facão e o taco de madeira — ideais para manobras rápidas e paradas precisas.

Minigames que brilham

Stranger Than Heaven traz uma das melhores coleções de atividades secundárias da série Yakuza. Em Osaka, em 1943, o jogador pode se envolver em diversos jogos, como beigoma (a versão japonesa dos beyblades), menko (como pogs), e até um minigame de tiro com alvos móveis.

O destaque, porém, é a atividade Showbiz — uma fusão entre gestão de clubes, karaoke e produção musical. Você contrata músicos, escolhe os repertórios, ajusta luzes e efeitos em tempo real, e até recria músicas com diferentes tons, instrumentos e estilos. É possível transformar uma canção tradicional em ska punk com apenas algumas configurações — uma mecânica que brinca com anacronismos, mas de forma divertida e criativa.

Um elenco de peso e um toque de surrealismo

Ado, ícone da música japonesa, interpreta Keiko, uma personagem central ligada à trama musical. Sua voz e performances são parte essencial da experiência, com canções inéditas que se encaixam perfeitamente no contexto histórico.

Entre os pontos mais controversos está a presença de Tupac Shakur por meio de tecnologia de digital necromancy. A RGG Studio afirma ter contado com a família do artista e respeitado o legado, embora o conceito ainda gere discussões. Snoop Dogg, também no elenco, reforça o tema de comunidade e música como ponte entre culturas.

Stranger Than Heaven será lançado em 15 de janeiro de 2027 no PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC. No Brasil, o preço ainda não foi divulgado, mas o título promete ser um dos grandes lançamentos do ano — um jogo que mistura história pesada, mecânicas refinadas e uma paixão por música e cultura pop.