Quase 600 testadores de qualidade da Activision, muitos deles no escritório de Minnesota, votaram para autorizar uma greve após mais de dois anos tentando fechar seu primeiro contrato coletivo. O grupo, formado em março de 2024, está à beira de uma paralisação após a empresa não avançar em questões-chave como aumento salarial, proteção contra demissões e regulamentação do uso de inteligência artificial nos processos de teste.

Em comunicado, Emily Danko, membro da comissão de negociação da AQAU-CWA, afirmou que os esforços para negociar com boa-fé foram frustrados por atrasos e contrapropostas inadequadas. "Apesar de nossa disposição para avançar, o progresso foi quase inexistente. Estamos unidos, mas precisamos explorar todas as opções para garantir um contrato justo", disse.

Os testadores alegam que a Activision, agora sob controle da Microsoft, tem se afastado do compromisso de uma "relação positiva com o trabalho" que foi prometida durante o acordo de neutralidade laboral, que expirou no ano passado. Desde então, dizem, a empresa tem se mostrado mais agressiva e menos disposta a negociar.

"É difícil reconciliar a promessa de uma relação positiva com a realidade atual", afirmou Danko. "Um bom relacionamento não é só palavras. É ação, diálogo real e disposição para resolver problemas. Depois de dois anos, precisamos ver isso nas negociações, não apenas em discursos públicos."

Apesar da ameaça de greve, a Activision afirma estar em diálogo com o CWA e ter oferecido novas reuniões para 21 e 22 de outubro. A empresa disse respeitar o direito dos funcionários de se organizarem e de grevar, e afirmou que tem planos para manter os lançamentos e atualizações sem interrupções.

Modern Warfare 4 está prestes a ser lançado globalmente, mas o sucesso pós-lançamento depende de patches constantes — um momento crítico para o mercado, especialmente no período de festas. Uma paralisação poderia atrasar essas atualizações, afetando diretamente a experiência dos jogadores.

Além disso, o grupo de testadores sofreu cortes de pessoal: do número inicial de cerca de 600, restam agora pouco mais de 400. A equipe acredita que o aumento da carga de trabalho sobre os poucos funcionários remanescentes pode comprometer a qualidade dos testes e a sustentabilidade do trabalho.

"QA não é só verificar caixinhas", destacou Danko. "É julgamento humano, compreensão contextual e capacidade de detectar falhas que sistemas automatizados podem ignorar. Não podemos deixar que a automação substitua o valor real do trabalho humano."

Com a aquisição da Activision pela Microsoft, o acordo de neutralidade temporário que permitiu a formação da união expirou. Desde então, a dinâmica mudou, segundo os testadores, que agora veem a empresa mais resistente a mudanças e menos disposta a compromissos.

"A mensagem é clara: é hora de parar de brincar de negociação", concluiu Jenna Huffman, outra testadora. "Nós não queremos greve. Queremos um contrato justo. Mas se a empresa não se sentar à mesa com respeito, não nos resta outra opção."