Tim Sweeney, fundador e CEO da Epic Games, voltou a compartilhar uma declaração polêmica de 2000 sobre o encerramento da Looking Glass Studios, considerada uma das mais influentes do setor de games. Em um post recente, ele reiterou que o fim da estúdio, responsável por títulos como Deus Ex, BioShock e Dishonored, não foi um momento triste, mas sim uma consequência inevitável da economia do mercado.
"Este não é um dia triste, é um dia economicamente realista", escreveu Sweeney em 2000, destacando que a Looking Glass investiu pesadamente em jogos inovadores que não tiveram retorno financeiro suficiente. A frase ressurgiu em 2026, após o fechamento da BioWare, que também produziu títulos cultuados com orçamentos altos e público restrito, mas que acabou não sustentando a rentabilidade sob a gestão da EA.
Sweeney não se retrata. Ao contrário, ele retuitou seu comentário original com uma justificativa: o mercado de games já passou por crises antes, e o que hoje é visto como um colapso é apenas mais um ciclo. Segundo ele, a ideia de que o fim de estúdios é uma tragédia coletiva é simplista. "O ponto desses posts não é ser popular", afirmou.
Apesar da posição clara, a resposta da comunidade gamer brasileira e global foi intensa. Muitos veem a fala como fria ou desprovida de empatia, especialmente em um momento em que estúdios independentes e de nicho lutam para sobreviver. A comparação com o sucesso de Baldur's Gate 3 — feito sem pressão corporativa — gera ainda mais debate sobre o papel da indústria na criação de grandes jogos.
Para alguns, a visão de Sweeney é realista; para outros, é um sinal do descompromisso com o que faz os games especiais: a criatividade autoral. Ainda assim, o CEO da Epic mantém sua posição: é preciso falar sobre as causas reais do colapso do setor, mesmo que isso gere desgosto.