Analistas do setor de games afirmam que o fechamento da BioWare, anunciado pela EA em outubro, foi uma consequência previsível da estrutura de dívida e estratégia da empresa após a aquisição por US$ 55 bilhões.
Segundo Joost van Dreunen, essas franquias são consideradas "projetos de prestígio" pela EA — importantes para a imagem, mas pouco rentáveis. Mesmo com sucesso crítico, elas não geram o fluxo de caixa estável que a diretoria exige.
A dívida da EA chega a cerca de US$ 18 bilhões, com custos anuais com juros de US$ 1,8 bilhão, superando seu EBITDA de US$ 1,5 bilhão. Para cumprir obrigações, a empresa cortou custos, incluindo a equipe da BioWare, mesmo que ela tivesse um legado cultural significativo.
Dragon Age: The Veilguard, lançado em 2024, vendeu cerca de 1,9 milhão de cópias globalmente — abaixo das metas internas. Isso, somado ao desempenho fraco de títulos anteriores como Mass Effect: Andromeda e Anthem, fortaleceu a decisão de encerrar a empresa.
Outros analistas, como Piers Harding-Rolls e David Gibson, destacam que jogos de RPG de alto orçamento não estão gerando lucro suficiente no atual modelo de negócios. A EA prioriza esportes, serviços ao vivo e mercados como a Ásia, onde custos são menores.
Embora haja esperança de que a propriedade intelectual da BioWare seja vendida, especialistas duvidam que outras empresas assumam o risco. Companhias como CD Projekt Red já estão sobrecarregadas com projetos em andamento.
Ex-produtor da BioWare, Mark Darrah, é cético sobre o futuro das franquias: "É bem provável que a EA as esqueça e as enterre no cofre".