Em meio à nostalgia provocada pelo novo beta de World of Warcraft: Classic, o time do PC Gamer reuniu memórias pessoais sobre os primeiros personagens que cada um criou em MMOs. O resultado é um retrato emocionante da infância digital de uma geração que cresceu com games online como parte da vida real.
Primeiros passos no mundo virtual
Harvey Randall, redator principal, lembra de Leetman, seu humano ladrão em World of Warcraft, criado por volta de 2004. Apesar de não ser bom com poções ou rotinas de dano, o personagem marcou presença com uma montaria conquistada — algo que parecia gigantesco na época. Quando o expansion The Burning Crusade chegou, Leetman foi trocado por um troll shaman, mas permanece como um símbolo de um começo difícil, mas cheio de paixão.
Joshua Wolens conta sobre Karokan, seu meio-elfo em EverQuest, criado aos seis anos. Ainda com medo de se perder em um mundo imenso, o personagem passou a vida inteira perto das portas de Freeport, lutando contra orcs e ratos. Uma história simples, mas que representa o medo e a curiosidade de um garoto diante de um universo virtual.
De Druids a Warriors: a evolução de um jogador
Steve Haines criou Ovidlords, um druida noturno em WoW, em 2006. Ele se tornou um tank em um tempo em que ninguém queria esse papel — mas conseguiu liderar o grupo contra Gruul com sucesso. O personagem também foi pioneiro em conquistar a primeira versão de Ashes of Al’ar na sua região, um feito que marcou sua trajetória.
Lincoln Carpenter, por sua vez, criou Maldirr, um orc guerreiro, por um erro de clique. A intenção era um hunter, mas o personagem acabou virando seu principal durante anos. Até hoje, ele dá uma olhada em Maldirr de vez em quando, mantendo o mesmo tabard do Stone Guard e mudando apenas a cor do cabelo — um gesto de afeto por um personagem que nunca foi perfeito, mas foi fiel.
Contas perdidas e redescobertas
Jacob Ridley, editor-chefe, teve uma história mais dramática. Seu personagem em RuneScape, Don L Legs, foi banido anos depois de parar de jogar — vítima de um hack. Após anos sem acesso, ele enviou um e-mail pedindo ajuda à Jagex. A resposta? Um desbanimento. Ele agradece publicamente ao “Mod Frenzy”, um membro da equipe de suporte que salvou um dos personagens mais antigos da sua vida.
Mollie Taylor, produtora de conteúdo, lembra de Brown Cat, seu personagem em Toontown Online — um jogo infantil da Disney com temática de luta contra corporações opressivas. Apesar de pouco conhecido fora do Brasil, o jogo marcou uma geração que jogava com pirotécnicas e flores mágicas, em um mundo colorido e cheio de ironia.
Um legado que vai além do jogo
Esses personagens — muitos deles perdidos, outros recuperados — representam muito mais do que avatares em um servidor. São testemunhas de uma infância digital onde cada clique era uma decisão, cada morte uma lição, e cada montaria um sonho alcançado.
Se você também tem um personagem MMO de infância, não esqueça de contar na seção de comentários. Talvez, com um pouco de sorte, ele também volte à vida.