Quando tinha 16 anos, completei uma partida no modo Expert de 'Through the Fire and the Flames', da banda Dragonforce, em um amigo de casa. Foi meu ápice. Lembrei na hora: 'acho que nunca vou superar isso'.

Naquela noite, o X-Plorer vermelho — o controle oficial do Guitar Hero — foi meu instrumento. Um pedaço de plástico colorido, com cinco botões e uma barra de whammy que não afetava cordas, mas o sinal do jogo. Não precisava aprender guitarra real. Basta jogar por horas, com ritmo e precisão, e viver o show.

Hoje, com 34 anos, o mesmo X-Plorer daquele dia ainda está em uso. Ainda funciona. A tinta amarelada, os resíduos entre os botões, o adesivo da Gibson ainda no braço — tudo como nos tempos de adolescente.

Eu tenho outros controles: dois X-Plorers, dois da Guitar Hero Live, um CRKD Les Paul Blueberry Burst Pro. Todos funcionam. Mas nenhum tem a sensação do original. Os botões do X-Plorer ainda respondem com precisão, como se fosse ontem.

Já os controles mais novos, como os da Guitar Hero Live, exigem software especial para funcionar no PC, e até solda para consertar baterias que explodiram depois de 10 anos esquecidas dentro do aparelho. O X-Plorer? Basta ligar. Plug and play.

O único problema que ele teve em 20 anos foi a barra de whammy, que quebrou há muito tempo. Hoje, ela apenas pende, mas isso não tira o charme.

É difícil explicar o que esse controle representa. Não é só um periférico. É memória, identidade, um pedaço do que foi o auge da cultura de jogos musicais no Brasil e no mundo.