Enquanto o movimento de protesto contra o fim dos jogos físicos no PlayStation ganhava força em 2026, eu fiz o oposto: comprei um disco de PS5 e fui a uma loja de games usados perto de casa.
Os boicotes tiveram impacto emocional, mas não mudaram os números. A análise mostrou que a audiência do PSN não sofreu alterações significativas durante a greve. O preço das ações da Sony até subiu. A realidade é clara: o futuro do PlayStation é digital.
Apesar disso, decidi voltar às raízes. Ainda que a mídia física esteja desaparecendo, queria experimentar o que estou perdendo — a sensação de abrir um jogo, o som do disco sendo lido, o cheiro do plástico antigo.
Minha infância foi marcada por caixas de GameCube, cartuchos trocados, CD-ROMs no computador e fitas VHS. Tinha uma coleção de expansões do The Sims 3 sem drive para rodar, jogos do Xbox original que não funcionam mais no atual, e títulos do Xbox One empoeirados. A mídia física está no meu DNA.
Hoje, minha biblioteca é quase toda digital, no Steam. Até o PS5 Pro, comprado logo após o anúncio de God of War Laufey, veio sem unidade de disco. Foi só no carro, com o console no banco da frente, que percebi o erro: não tinha comprado o disco.
Comprei um depois. E foi aí que tudo mudou. Voltar a usar um disco foi como reativar um músculo esquecido. O ritual de colocar o jogo, esperar o carregamento, ouvir o som da unidade — tudo isso me trouxe de volta à criança que ia à GameStop sem saber o que queria, mas sempre voltava com algo novo.
As lojas usadas ainda existem, cheias de histórias. São como museus vivos. Ao caminhar entre os prateleiras, senti um calor familiar. Ainda é possível colecionar, tocar, guardar jogos — mesmo que por pouco tempo.
Se o futuro é digital, que seja. Mas enquanto ainda temos discos, vamos aproveitar. A tecnologia evolui, mas a emoção de um jogo físico ainda resiste.