Warhammer 40,000: Boltgun 2 não perde tempo: em poucos minutos, você já está no meio de uma batalha sangrenta dentro de uma nave destruída, cortando inimigos com gritos de fé e sangue escorrendo pelo chão metálico. O ritmo é implacável, o gore é intenso e o mundo de Auroch Digital está mais vivo do que nunca.

Com a destruição da sua nave pelo Grande Demônio Vashtorr, a missão é clara: vingança. Você, um Space Marine fanático, entra em uma campanha intergaláctica que o leva por pântanos infectos, instalações congeladas e fortalezas demoníacas. Acompanhado por um servo-esqueleto sarcástico — que solta frases como "Sangue detectado no módulo ocular" —, o jogador precisa sobreviver a hordas de heréticos, coletando munição e kits de saúde com a velocidade de um jogo dos anos 90.

A história, embora confusa em alguns momentos, é secundária. O que importa mesmo é a ação. E o jogo entrega com força: combates frenéticos, inimigos bem projetados e uma sensação constante de movimento. A nova jogável, a Sister of Battle Nyra Veyrath, traz um estilo de combate mais ágil, com a Powersword e o Melta Bomb, enquanto Malum Caedo, o original, é mais pesado, com Chainsword e granadas frag. Cada um tem seu momento de glória — e isso aumenta muito a rejugabilidade.

Os níveis não são lineares. Ao longo da campanha, você escolhe caminhos alternativos: uma selva encharcada de pestilência ou uma praia fortificada com inimigos escondidos. Essas decisões impactam o que você enfrenta — e, em uma segunda jogada, você pode experimentar novos cenários e objetivos. Muitos níveis têm mecânicas criativas: explodir tanques de sangue para enfraquecer um demônio, quebrar gelo para cair em ventiladores mortais. Isso evita o cansaço típico de jogos de tiro repetitivos.

Além disso, o jogo introduz eventos como Purges — onde você só pode sair depois de eliminar todos os inimigos — e aliados que aparecem em combate, muitas vezes como escudos vivos. Há também perigos ambientais: poças de fogo, névoa espessa. Tudo isso aumenta o caos, mas também esconde itens valiosos, como Secrets (que dão bônus de combate) e Seals (colecionáveis).

Apesar do brilho geral, o jogo tem alguns problemas técnicos. Inimigos às vezes ficam parados sem motivo, purgues podem travar e o controle, embora bom em combate, some um pouco na plataforma mais elaborada da segunda metade da campanha.

O visual pixelado é o grande destaque. Os modelos de personagens são cheios de personalidade — um Tormentor jogando faca, um Nurgling fazendo careta durante o ataque. A arte é uma homenagem direta aos miniaturas de Warhammer, com animações violentas e cores intensas que destacam os monstros mais assustadores, como as Daemonettes e os Bloodcrushers.

Os áudios também são fortes: vozes de Rahul Kohli (Caedo) e Alanah Pearce (Veyrath) são carismáticas, e os gritos contextuais — como "Para o Imperador!" — aumentam a imersão. O servo-esqueleto, com seu humor ácido, ainda é o diferencial mais divertido.

Apesar dos pequenos bugs, Boltgun 2 é um dos melhores shooters retro do ano. Ele eleva o original com mais profundidade, mais diversão e um mundo que parece feito para ser explorado — mesmo que seja com um Chainsword na mão e um sorriso de sangue no rosto.