Yoko Taro, criador da franquia NieR, fez revelações profundas sobre sua vida profissional e seus medos futuros durante uma conversa no décimo festival de cultura de videogames "The Tenth Mosaic", no Instituto Francês de Tóquio.
Segundo o diretor, ele já se sente cansado de trabalhar e não tem interesse em criar novos jogos. "Na verdade, nada", respondeu quando perguntado sobre projetos em andamento. Ele afirmou que realizou seu sonho de criar algo que representasse seu melhor em Drakengard, seu primeiro jogo como diretor, e que tudo o que veio depois é apenas o resto da vida.
Apesar de ter condições financeiras para se aposentar, Taro diz que continua no mercado por medo de desenvolver demência. Ele mencionou casos de pessoas que foram diagnosticadas com a doença após se aposentarem e, diante disso, passou a encarar o trabalho como uma forma de manter a mente ativa. "Isso é bom para prevenir a demência", diz a si mesmo quando enfrenta dificuldades no dia a dia.
O criador também comentou sobre o cenário atual da indústria japonesa de videogames. Ele ironizou sua própria idade — 56 anos — e disse que não se importa com o futuro da indústria, já que acredita que está próximo do fim. No entanto, reconheceu que o avanço da IA e de ferramentas acessíveis permitiu que jovens desenvolvedores, muitos ainda na adolescência ou nos 20 anos, criem jogos com maior liberdade do que era possível na época dele.
"Antigamente, se queria fazer um jogo 3D, só tinha duas opções: entrar em uma empresa ou lançar algo de nicho no PC", lembrou. Hoje, ele vê uma competição crescente que está se espalhando de forma acelerada entre os criadores mais jovens, o que o deixa com medo. "Fico cheio de medo e apreensão, torcendo para que essas chamas não cheguem até mim antes de eu morrer", disse.
Atualmente, Taro está envolvido com o desenvolvimento de Voice of Cards, o jogo mobile 404 GAME RE:SET e escrevendo um novo capítulo da série de TV de Neon Genesis Evangelion, com trilha de Keiichi Okabe.