O cenário jurídico na indústria de jogos está mudando rapidamente, especialmente em relação ao uso de inteligência artificial (IA). Segundo a advogada Haley MacLean, do escritório Voyer Law, as cláusulas que proíbem o uso de IA nos contratos de desenvolvimento de jogos se tornaram uma prática comum este ano.

MacLean observa que, nos últimos dois a três anos, até estúdios menores começaram a incluir essas cláusulas para se protegerem legalmente. Ela afirma que, atualmente, é quase padrão que os contratos venham com essa restrição, especialmente se o editor também estiver criando ativos para o jogo.

O uso de IA na criação de conteúdos, como arte e música, levanta questões legais complexas. A advogada destaca que a IA tende a reproduzir obras existentes, o que pode resultar em plágio. Isso tem gerado receios nas empresas de jogos, que buscam evitar responsabilidades legais.

Além disso, a pressão do mercado também influencia essa tendência. MacLean menciona que as divulgações sobre o uso de IA podem impactar negativamente a recepção de um jogo, reduzindo suas avaliações em até 53%. Isso cria um ciclo onde desenvolvedores hesitam em adotar IA por medo de alienar suas comunidades.

A situação é ainda mais complicada por conta da legislação, que está começando a acompanhar o avanço tecnológico. MacLean alerta que, ao usar IA para criar conteúdo, pode ser difícil provar a originalidade das obras geradas, complicando a reivindicação de direitos autorais.

O futuro da indústria de jogos pode ver um aumento nas disputas legais relacionadas ao uso de IA, já que as empresas tentam equilibrar inovação e proteção legal. A advogada acredita que, à medida que a tecnologia avança, as questões legais relacionadas à IA só tendem a crescer.