Avatar: Seven Havens é uma nova entrada ousada na franquia, repleta de elementos narrativos intrigantes e personagens carismáticos — mas que acaba sendo afetada por problemas visuais. Apesar do cenário pós-apocalíptico e reviravoltas que prendem a atenção, a animação desfalcada e as cenas de ação confusas deixam a desejar.

Um mundo em ruínas, dois Avatares?

A série começa em um futuro distante, após os eventos de Legend of Korra, quando o mundo foi reduzido a sete havens após um cataclismo misterioso. A população culpa o Avatar anterior por ter causado a destruição — uma premissa que, para fãs da franquia, é cativante. O foco está em Pavi e Nisha, gêmeas perdidas que, de alguma forma, são ambas Avatar. Essa dualidade, inédita no universo, gera perguntas que impulsionam a trama: como isso é possível? O que aconteceu com o mundo? E como a cidade de Ellora sobrevive?

Os personagens principais são encantadores, especialmente com o trabalho de voz de Aishu Devan e Saheli Khan, que trazem uma identidade jovem e autêntica, lembrando o tom da primeira série. O elenco secundário, como Jae e Karthik, também se destaca, mesmo sem alcançar o carisma do Team Avatar original.

Problemas visuais que atrapalham a experiência

Apesar do potencial narrativo, a animação de Avatar: Seven Havens é um ponto fraco. O design dos personagens parece plano, sem profundidade, enquanto os fundos da cidade de Ellora são bem detalhados e iluminados com cuidado. A contradição entre o ambiente e os protagonistas é evidente.

O maior problema, no entanto, está nas cenas de ação. As lutas com elementos e técnicas de combate são difíceis de acompanhar, mesmo com uma direção que tenta manter o ritmo. A animação, produzida por La Chouette Compagnie com supervisão da Avatar Studios e Nickelodeon Animation Studios, não alcança o padrão dos trabalhos anteriores, como o filme The Last Airbender ou as séries anteriores.

É injusto comparar orçamentos, mas o salto visual em relação ao filme da Paramount é perceptível. A série tenta inovar, mas a falta de coesão visual prejudica a imersão. A animação não precisa ser perfeita, mas precisa ser funcional — e em muitos momentos, ela falha em transmitir o que está acontecendo.

Conclusão: promessa com limitações

Avatar: Seven Havens é uma tentativa ousada de expandir o universo de Avatar com um novo tom, mas o potencial narrativo é diluído por problemas técnicos. Para fãs da franquia, a história ainda vale a pena, especialmente com o mistério central e o novo cenário. No entanto, a experiência geral é frustrada por uma animação inconsistente e ações confusas.

Disponível no Paramount Plus desde 9 de outubro, a série é um experimento interessante — mas que ainda precisa de ajustes para se tornar uma obra de peso na franquia.