A BioWare, estúdio icônico dos jogos de RPG que criou franquias como Mass Effect, Dragon Age e Star Wars: Knights of the Old Republic, anunciou o encerramento de suas operações. A notícia foi divulgada em um comunicado oficial, que confirma o fim do desenvolvimento do novo título da série Mass Effect e o fim das atividades da empresa após mais de três décadas no mercado.

O anúncio surge pouco tempo após a aquisição da Electronic Arts por um grupo de investidores privados liderado pelo Fundo de Investimento Saudita, em um acordo avaliado em cerca de 55 bilhões de dólares. O processo de transformação da empresa gerou temores entre os fãs e funcionários, especialmente após rumores de cortes massivos e mudanças estratégicas.

De acordo com relatos internos, cerca de 400 funcionários serão demitidos. O COO da EA, David Tinson, e o CSO, Cam Weber, teriam mencionado em reuniões internas a possibilidade de mais cortes e encerramentos de projetos nos próximos meses. A estúdio vinha passando por um período de dificuldades, com títulos como Anthem — um fracasso tanto comercial quanto crítico — e Dragon Age: The Veilguard, que não atingiu as metas de vendas da publisher.

Ex-funcionários e líderes da indústria afirmam que a pressão por resultados e a tentativa de transformar a BioWare, tradicionalmente focada em jogos single-player, em um modelo de serviço contínuo foram fatores críticos no desgaste da equipe. Um dos ex-líderes da BioWare, Mark Darrah, atribuiu o desempenho de The Veilguard a expectativas irrealistas impostas pela EA.

Apesar do encerramento, o comunicado da BioWare destacou o legado da empresa: "O que as gerações da BioWare construíram juntas é algo para celebrar e lembrar. Esses jogos se tornaram muito mais porque você jogou, discutiu suas escolhas, se apaixonou pelos personagens e tornou esses mundos seus próprios." A mensagem foi recebida com emoção pelos fãs, que lamentam o fim de uma das maiores referências do RPG.

No Brasil, onde jogos como Mass Effect e Dragon Age tiveram forte apelo, o anúncio gerou preocupação sobre o futuro da produção de games de qualidade no país, especialmente com a crescente influência de investidores estrangeiros e a centralização de grandes franquias em corporações globais.