O estúdio polonês Bloober Team está vivendo um dos momentos mais importantes de sua trajetória com o anúncio de Onyx: The Dark Grip, um jogo de terror em 2.5D que será exclusivo do Nintendo Switch 2. O título, desenvolvido pela própria Bloober Team e publicado pela nova divisão da empresa, a Broken Mirror Games, será lançado exclusivamente em modo handheld — um formato que reforça a imersão e a intimidade com o jogador.
Segundo Piotr Babieno, CEO da Bloober Team, o projeto representa um sonho realizado. "É uma forma de tornar meus sonhos em realidade", disse, destacando sua admiração por consoles da Nintendo ao longo dos anos. Mas o sucesso não é apenas emocional. O fato de a Nintendo ter aceitado um estúdio de horror como parceiro — especialmente com um título exclusivo — é um sinal claro de que a empresa está reconhecendo o trabalho da equipe.
Tymon Smektała, novo diretor executivo da Broken Mirror Games, explica que o processo exigiu mais do que apenas um bom jogo. "A Nintendo não trabalha com qualquer um. Empresas japonesas exigem confiança, e isso precisa ser conquistado com resultados e respeito", afirmou. Esse "approach japonês" de negócios, baseado em longos relacionamentos e credibilidade, foi essencial para que o projeto fosse aprovado.
O sucesso do remake de Silent Hill 2 foi o divisor de águas. A versão moderna e fiel ao original conquistou críticas e fãs, mostrando que a Bloober Team tinha o talento e a sensibilidade necessários para lidar com um dos franquias mais icônicas do gênero. Esse reconhecimento, inclusive, foi ampliado no mercado japonês, onde a confiança em estúdios estrangeiros é historicamente mais difícil de conquistar.
Com Onyx: The Dark Grip, a equipe quer explorar novas formas de interação com o jogador. O jogo se baseia em um conceito de "quebra da quarta parede", onde o jogador atua tanto como um deus quanto como uma vítima possuída. "Queremos provocar dúvidas sobre o que está na tela e sobre como interagimos com o dispositivo", diz Smektała. A ideia é usar as características únicas do Switch 2 — especialmente o modo handheld — para criar experiências que só funcionam nesse formato.
Outro título anunciado pela Broken Mirror, Saw: Genesis, também busca inovar, com um foco em horror social, aproveitando conexões online e dinâmicas entre jogadores. Juntos, esses projetos mostram que a nova divisão da Bloober Team não quer apenas fazer jogos de terror, mas reinventar como eles são vividos — especialmente em um console que, por décadas, foi visto como incompatível com o gênero.