O co-fundador da BioWare, Ray Muzyka, afirmou que a aquisição da Electronic Arts pela Arábia Saudita foi o ponto final para o estúdio, que há anos vinha sendo desgastado por mudanças de direção e pressão externa.

Em entrevista ao site 80LV, Muzyka disse que, desde a compra da EA pelo Fundo de Investimento Público (PIF) da Arábia Saudita, o estúdio deixou de ser o que era. "Acho que foi o último prego no caixão. Foi o ponto crucial disso tudo. Agora é uma empresa completamente diferente".

O PIF tem histórico de violações de direitos humanos e uma postura conservadora, especialmente em relação aos direitos LGBTQ+. Isso gerou preocupação dentro da indústria após a aquisição, especialmente com o caso de Mass Effect 5, onde desenvolvedores teriam sido orientados a reduzir a representação inclusiva em seus projetos.

Em agosto, funcionários anônimos da EA afirmaram ao Game Developer que temiam que o novo proprietário passasse a censurar conteúdos de jogos para alinhar com políticas do governo saudita.

Muzyka, que deixou a BioWare em 2012, acredita que a EA agora prioriza títulos com retorno mais rápido e previsível, como jogos de esporte. "Tudo o mais é um excesso, acho. É mais fácil só produzir jogos de esporte todo ano. É um modelo de negócios mais viável, de certa forma".

Apesar do pessimismo, há ainda esperança de que franquias icônicas como Mass Effect e Dragon Age possam ser vendidas a outro estúdio. No entanto, um ex-desenvolvedor de Mass Effect questionou essa possibilidade, lembrando que a EA raramente vende direitos de IPs que possui.

Enquanto isso, Ultima Online está prestes a retornar às mãos de seu criador original, um dos poucos sinais positivos em meio ao desmantelamento da BioWare.