Timothy Cain, co-criador da icônica série Fallout, lançou um novo vídeo com críticas ao rumo atual dos RPGs, destacando uma mudança preocupante: o afastamento de segredos, conteúdo oculto e exploração não guiada. Segundo ele, o mercado está cada vez mais focado em histórias lineares com um único desfecho, em vez de oferecer caminhos alternativos e descobertas espontâneas.
Cain argumenta que, nos últimos anos, desenvolvedoras têm evitado investir em conteúdo que poucos jogadores verão — como diálogos opcionais, missões escondidas ou itens que só aparecem em certas condições — por medo de que esse material não gere engajamento em massa. "As coisas estão indo para histórias lineares, com um único ponto final", afirma. "Eles querem minimizar o custo de conteúdo não visto e criar experiências mais comuns, para que todos os jogadores falem sobre os mesmos momentos".
Ele também critica o excesso de sinalização no jogo: marcadores de missão, luzes piscando, sons que apontam para itens raros. "É quase como se ninguém acreditasse que os jogadores encontrariam algo por conta própria", diz. "Quando você encontra algo, já sabe que foi intencional, porque tem um sinal neon apontando para isso".
Apesar de o comentário vir de um nome histórico da indústria — que trabalhou com Interplay nos anos 90 e ajudou a moldar o DNA dos RPGs clássicos —, o tom é pesado. Cain revela ter sido orientado a não gastar tempo com diálogos opcionais ou vozes extras para NPCs, pois apenas uma pequena parcela dos jogadores os veria. "Como se pode comemorar uma descoberta se ela vem com um cartaz gigante dizendo 'olha só o que você achou'?
Apesar da preocupação, o texto reconhece que títulos como Baldur's Gate 3, FromSoftware e CD Projekt Red ainda mantêm forte apelo por conteúdo oculto, especialmente entre fãs mais dedicados. No entanto, o alerta de Cain ecoa um debate crescente: o equilíbrio entre acessibilidade, custo de produção e a essência da exploração livre nos RPGs pode estar em xeque.