Star Wars: Galactic Racer não é apenas um jogo de corrida no universo de Star Wars — é uma homenagem ao que torna um jogo memorável. A Fuse Games, equipe com forte ligação com o legado de Criterion e os clássicos Burnout, assumiu o desafio de trazer de volta aquela sensação única de pilotar algo que parece real, mesmo que não exista.
Segundo Matt Webster, CEO da Fuse, o conceito de "game feel" está no cerne do processo criativo. "É sobre como algo se sente nas mãos", diz ele. Não se trata apenas de pressionar um botão e acelerar. É a resposta do jogo, a reação física, o peso do controle, o momento exato em que o veículo responde. "Se você suspende a descrença em um nível sensorial, consegue se imergir em tudo o mais", afirma.
Com veículos sem rodas, como os land speeders e podracers de Star Wars, o desafio foi criar conexão com o ambiente sem a física tradicional de carros em estradas. A resposta veio de uma simulação física baseada no que já vimos no universo — desde podracers até speeder bikes. "Se você pudesse inventar um motor de levitação na Terra, seria assim", explica Webster. O objetivo era criar um senso de realismo, mesmo em algo impossível.
Para equilibrar profundidade com acessibilidade, o jogo adota elementos Roguelite. Mas, como destaca Kieran Crimmins, criador de conteúdo, isso não é perder controle — é dar ao jogador ferramentas para criar experiências únicas. "É como brincar com brinquedos físicos", diz ele. Cada peça de upgrade é uma peça de um quebra-cabeça emocional, criando momentos que geram alegria, frustração, surpresa — tudo parte de um sistema projetado para provocar emoções.
Para testar essas sensações antes de programar, a equipe usou protótipos em board game, com Post-its, canetas e dados. "A ideia é validar a emoção o mais rápido possível", diz Crimmins. Um sistema que parece simples no papel pode se tornar algo incrível quando o jogador o sente nas mãos.
"O que é o ponto de tudo isso se você não está sentindo nada?", pergunta Crimmins. A resposta está no conceito de verisimilitude — a verdade emocional do jogo. Como Richard Donner, diretor de Superman (1978), deixou escrito atrás de sua mesa: "Verisimilitude". "Se você não acredita que um homem pode voar, nada mais importa", diz Webster. "Se o jogador não acredita que está na galáxia de Star Wars, tudo o mais falha.".
Assim, Star Wars: Galactic Racer não é só sobre velocidade. É sobre a sensação de ser um piloto lendário, de tocar algo quebradiço, de acelerar em um mundo onde o impossível parece real. E, talvez, seja isso que faça um jogo ser inesquecível.