A BioWare, criadora dos clássicos Mass Effect e Dragon Age, foi fechada pela Electronic Arts, um movimento que simboliza o colapso de um modelo de desenvolvimento baseado em narrativas ricas e escolhas significativas. Segundo Matt Purslow, da IGN, a estúdio sobreviveu por décadas apesar da direção da EA, que nunca entendeu ou valorizou o que ela representava.
Desde a aquisição em 2007, a BioWare foi constantemente pressionada a produzir jogos com margens de lucro altas — o que, no caso de RPGs, era praticamente impossível. Projetos como Anthem e Dragon Age: The Veilguard foram moldados por uma pressão interna para se tornar mais ação, mais linear, menos profundo — em nome do sucesso de mercado.
É verdade que a estúdio cometeu erros, mas a raiz dos problemas está na cultura da EA: uma empresa que vê estúdios como recursos operacionais, não como centros de criação. A história da BioWare é apenas a mais recente em uma longa lista de estúdios fechados, reformatados ou absorvidos pela gigante.
Desde Origin Systems até Criterion, muitos nomes foram transformados ou extintos. O que sobra agora é uma estrutura corporativa onde o foco é jogos anuais, live-service e microtransações — tudo em nome do lucro, não da arte.
Apesar de algumas franquias como It Takes Two terem sucesso em parceria com a EA, o futuro parece ser de centralização: studios se fundindo, identidades apagadas, e um único modelo de desenvolvimento dominando.
“Pode um computador fazer você chorar?” perguntou a EA em 1983. A resposta, hoje, é sim — mas não como a empresa imaginava. A emoção que os jogos podem provocar está sendo substituída pelo cálculo de margens.