Brandon Stirrup, estrategista de negócios da Xbox, se tornou alvo de atenção nas redes sociais após afirmar que a indústria de videogames está "fingindo não usar IA" — mesmo com o uso crescente da tecnologia em desenvolvimento, arte e produção.
Em uma série de tweets, Stirrup contou que criou um jogo funcional em apenas três horas usando IA. A partir disso, questionou a postura da indústria: "a única que finge não usar IA é a de videogames". Ele ainda afirmou que quem se recusa a aceitar o papel da IA no futuro do setor "não deveria estar no ramo".
"Se eu for demitido amanhã, será porque te contei a verdade que ninguém quer que você saiba", escreveu. Segundo ele, é possível criar jogos personalizados com apenas um prompt, e tudo o que se quer em um título já está à disposição — para o bem ou para o mal.
As declarações geraram uma onda de comentários nas redes, com apoio, críticas e debates sobre o futuro da criação de jogos. Em meio ao alvoroço, Stirrup desativou sua conta no X (antigo Twitter), segundo fontes próximas à Microsoft.
Outras empresas já estão adotando IA de forma mais explícita. A Epic Games afirmou que o código de seu novo jogo de Star Wars será escrito por IA, sem nenhuma linha escrita à mão. Já a Capcom apresentou o REX, uma ferramenta de IA para aprimorar o motor RE, embora tenha esclarecido que o foco é na eficiência do desenvolvimento, não na geração automática de conteúdo.
Em outros setores, a IA também está transformando o cenário: modding, descompilação e até jailbreaks de consoles estão sendo facilitados por ferramentas baseadas em inteligência artificial. A Microsoft respondeu com o Xbox Labs, uma iniciativa para integrar funcionalidades de modding e portabilidade de jogos — algo que comunidades independentes já faziam.
Apesar do avanço, os desenvolvedores ainda se distanciam publicamente da geração de arte com IA. Mas com ferramentas como as do Unreal Engine já integrando IA na interface, o debate sobre transparência e adoção acelerada está longe de terminar.